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Críticas

Cinderela Pop

22 jun 19 4 mins. de leitura
por Caique Araujo

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Título Cinderela Pop
País Brasil
Classificação Livre
Duração 85 mins.
Elenco Maisa Silva, Fernanda Paes Leme, Filipe Bragança
Direção Bruno Garotti
Gêneros Fantasia, Comédia , Família
Ano 2019
Cíntia Dorella é romântica menina de 16 anos que sonha em encontrar o cara ideal, mas vê seu mundo ruir quando descobre que seu pai está traindo sua mãe. Descrente no amor, ela vai morar na casa da tia e passa a trabalhar como DJ, se tornando a Cinderela Pop. Com a vida virada de cabeça para baixo, Cíntia acaba se apaixonando por Freddy, um cantor de sucesso e verdadeiro príncipe encantado dos dias atuais, mas também precisa lidar com as filhas de sua madrasta, que também desejam o rapaz.

O conto da Cinderela é mais antigo do que se possa imaginar. A versão mais conhecida está datada no ano de 1697 e foi baseada em um conto italiano chamado “La Gatta Cenerentola”. Mas é por volta de 860 a.C. que está localizada a primeira menção à personagem. Desde então, a história mais popular de todas ficou por conta dos estúdios Disney, tanto na animação quanto no recém-lançado filme. Mas, adaptações da história não ficam apenas por conta do Mickey Mouse, diversos outros estúdios já “brincaram” vez ou outra com a personagem. Por conta disso, é natural a aceitação do público as novas interpretações. E é essa a proposta do longa Cinderela Pop de Bruno Garotti.

Adaptado do livro de mesmo nome escrito por Paula Pimenta, a narrativa retrata uma história, reinterpretada do clássico, feita para pré-adolescentes modernos. Talvez mais do que por apenas coincidências, Garotti assume a direção do longa com promessa de sucesso. Ele que, inclusive, já foi responsável por “Tudo Por um Pop Star!– este de Thalita Rebouças. E acabou dirigindo por lá, também, Maísa como protagonista. Por conta disso, é evidente que a dinâmica adolescente chiclete que fora criada no último longa com sua assinatura traz um resgate para este.

Enquanto que é aceito como positivo incorporar no projeto um diretor com experiência na temática, isso também prejudica o desenvolvimento. Quem sabe porquê, neste, alguns assuntos demandam uma visão com uma pitada de romance, enquanto que Garotti derrapa na narrativa adolescente como uma comédia chiclete. Principalmente, devido ao fato de que Cinderela Pop segue a mesma linha e essência de “Tudo Por um Pop Star!”, sem tirar nem por. Como uma fórmula comprovada, o diretor mantem e repete tudo que deu certo sem fazer questão de inovar. Por consequência, Cinderela Pop é simples e unificado, feito para entreter e nada mais. Embora, é claro, seja um ponto particular ao espectador.

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A premissa do longa, entretanto, se sai bem melhor do que a execução. Tal como o livro, o enredo desconstrói a imagem da gata borralheira e à traz para os tempos modernos. A era da geração Z e a popularidade digital. Isso, com sinceridade, é bem divertido. Cíntia Dorella, interpretada por Maísa, é representada como uma garota independente, com seus próprios sonhos e interesses. Ela é totalmente distante do amor, desacreditada depois que seu pai rompeu o longo casamento com sua mãe. Para seguir o seu grande sonho entretanto, ela precisará bater de frente com o seu pai e tomar muito cuidado com a sua madrasta. Nesse processo, ela acaba se apaixonando pela pessoa mais inesperada possível e, daqui pra frente, a história brinca com vários elementos da tradicional Cinderela.

Um dos aspectos mais fracos do filme, todavia, está nas atuações. Elas não cativam e, em geral, são genéricas e, em alguns casos, “robotizadas”. Aqui um destaque para Maisa, ela tenta, mas soa como um completo ensaio inexpressivo das suas falas. Como aquela pessoa que, de tanto repetir um discurso, soa anti-natural. Acontece com vários outros nomes no elenco, entre eles Filipe Bragança, que interpreta Freddy Prince, e boa parte do elenco juvenil, inclusive. O maior destaque fica por conta de Fernanda Paes Lemes, a madrasta Patrícia. A atriz, já madura no ramo, é expressiva e está bem colocada em cena, tornando-a ainda mais maléfica e garantindo a perversidade da personagem.

Em suma, Cinderela Pop é o que é: um filme pré-adolescente para um pré-adolescente. Apesar de, é claro, conseguir contagiar e entreter com eventos que brotam o desejo de acompanhar o ritmo da trama. Talvez, contudo, esse seja mais um mérito de Paula Pimenta e os nomes por trás do roteiro do que da execução propriamente dita. A história é boa, ela conquista, te faz seguir, mas falta a alma necessária nas atuações para você se entregar aos eventos e até o peso que o diretor não garante. Como quando Cíntia Dorella redescobre o amor. Para quem nele não acreditava, o desenvolvimento é rápido e não funciona como um gênero romance.

Por fim, a construção é superficial. O envolvimento dos dois protagonistas, as duas pontas de um coração, não garante qualquer química e é, sem dúvidas, o ponto mais fraco do filme. Por isso, quem realmente sustenta a trama é a personagem Patrícia. Ela é a única realmente capaz de fazer o espectador ter alguma emoção e envolvimento, como se estivesse da pele “sofrida” de Cíntia Dorella. Para uma história romântica, não há nada que manifeste qualquer “owwn” do espectador mais maduro. Por outro lado, as garalhadas são uma garantia.

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