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Críticas

Emma.

13 abr 20 4 mins. de leitura
por Mandy Ariani

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Título Emma.
País Reino Unido
Classificação Livre
Duração 124 mins.
Elenco Anya Taylor-Joy, Johnny Flynn, Josh O'Connor, Mia Goth
Direção Autumn de Wilde
Gêneros Drama, Comédia, Romance
Ano 2020
Emma Woodhouse é uma jovem rica e inteligente, que não tem pretensões de se casar tão cedo, para ficar sempre perto do pai. Porém, isso não a impede de dar uma de 'casamenteira', tentando juntar casais que considere apropriados entre seus conhecidos, sem perceber os problemas causados com sua imaginação e teimosia.

A aguçada e perspicaz narrativa de Jane Austen sobre amadurecimento e expectativas com relação ao amor e ao casamento é contemplada na nova adaptação cinematográfica de Emma., primeiro longa-metragem de Autumn de Wilde. Com foco nos costumes ingleses e no cotidiano da época, tanto o livro quanto o filme são uma sátira para criticar diversos comportamentos da sociedade do século XIX, então a escolha de trazer uma protagonista imperfeita que reúne em si diversas atitudes dignas de censura e críticas é uma aposta bastante interessante.

Vou criar uma heroína de quem ninguém, além de mim, vai gostar muito. – Jane Austen

Interpretada por Anya Taylor-Joy (Fragmentado, A Bruxa), Emma Woodhouse é uma moça bonita, rica e inteligente que, apesar de sua vaidade e presunção sem limites, conquista a atenção de todos ao seu redor. Em seu pequeno vilarejo, ela é praticamente uma rainha egocêntrica com seus súditos. Abandonando o papel de inocência e bondade (típicos de protagonistas de filmes de época), Emma passa seu tempo bancando a “casamenteira”, tentando encontrar pares ideais para pessoas que fazem parte de seu convívio.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

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Quando ela decide encontrar um marido para sua mais nova amiga, Hariett Smith (Mia Goth), inicia-se uma série de desventuras envolvendo bailes, passeios, declarações e longos diálogos. O convívio e as conversas estabelecem a base do filme, no qual Emma possui o papel mais importante, afinal ela é a nossa “peça chave” e principal forma de conexão com todos os personagens e subtramas do longa. Nesse sentido, Anya Taylor-Joy não decepciona, utilizando expressões, mudanças de postura e olhares para passar todas as nuances de sua protagonista. A atriz, que já é considerada um dos maiores talentos de sua geração, consegue – de forma elegante – ecoar todo o desdém e egocentrismo de Emma – ouso dizer, inclusive, que essa é provavelmente a interpretação que mais se aproximou da personagem criada por Austen.

Sem dúvidas, os aspectos técnicos da produção não deixam a desejar. A cinematografia (Christopher Blauvelt) é sensacional e consegue captar nossa atenção em todos os momentos. A trilha sonora também é precisa em suas escolhas e surge nos momentos ideais. Além disso, o cenário e a fotografia são essenciais para inserirem os espectadores no ambiente do filme, assim como os figurinos que foram muito bem idealizados pela figurinista Alexandra Byrne e auxiliaram na percepção de classes sociais dos personagens.

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Como um bônus para os amantes de Jane Austen, Eleanor Catton (roteiro), nos presenteou com diálogos extremamente fiéis aos que vemos nos livros, desafiando os atores a utilizarem formas mais antigas e “sofisticadas” da língua. Felizmente, todos alcançam tais expectativas com naturalidade e conseguem convencer o público.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

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Em sua primeira produção, Autumn de Wilde parece se inspirar no estilo de Wes Anderson, além de mostrar um enredo com doses de teatralidade e atuações um tanto caricatas. Porém, tudo isso serve bem ao propósito da satirização, gerando um humor certeiro e situações cômicas que um público apenas um pouco familiarizado com as obras da Jane Austen não teria dificuldades de entender.

A adaptação Emma., no entanto, traz um recorte específico do livro de Austen. Por isso, o filme se aprofunda mais na jornada da própria Emma e menos nas tramas de outros personagens. Isso significa que, ao contrário do livro, o longa não traz muitas informações e não mostra certos acontecimentos, dando ao telespectador que não leu a obra a sensação de uma “falta de conhecimento” sobre alguns personagens secundários e dúvidas sobre alguns de seus desfechos. Por exemplo, no livro nós temos um longo desenvolvimento sobre a relação de Emma, Frank Churchill e Jane Fairfax, mas no filme tudo acontece de forma breve e superficial. Em contra partida, na adaptação nós temos um foco maior em Emma e sua relação com outros personagens, tais como o Sr. Knightley (Johnny Flynn) que embora seja muito próximo da nossa protagonista, não hesita em criticar seus comportamentos e fazê-la refletir sobre sua vaidade.

Em suma, o filme é muito bem desenvolvido dentro do recorte proposto e conquista o público através de interações e conversas muito bem colocadas e atores que encarnam seus papéis de forma esplêndida, além de usar o humor nas medidas certas. Apesar de seguir um caminho diferente do proposto por adaptações como Little Women (2019), Emma apresenta suas próprias particularidades e traz contornos específicos da obra de uma das maiores romancistas inglesas de todos os tempos. Se você tiver oportunidade, não deixe de conferir o livro antes de assistir a adaptação – a experiência será ainda melhor!

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Cornelia FunkeCoração de Tinta, 2003.

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