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Críticas

John Wick: Parabellum

21 jun 19 4 mins. de leitura
por Caique Araujo

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Título John Wick: Parabellum
País EUA
Classificação 16 anos
Duração 132 mins.
Elenco Keanu Reeves, Halle Berry, Laurence Fishburne, Anjelica Huston, Ian McShane
Direção Chad Stahelski
Gêneros Ação
Ano 2019
Após assassinar o chefe da máfia Santino D'Antonio (Riccardo Scamarcio) no Hotel Continental, John Wick (Keanu Reeves) passa a ser perseguido pelos membros da Alta Cúpula sob a recompensa de U$14 milhões. Agora, ele precisa unir forças com antigos parceiros que o ajudaram no passado enquanto luta por sua sobrevivência.

Em geral, o gênero de ação não cultua muitas novidades. Não existem revoluções cinematográficas com origens no gênero. Entretanto, desde 2014 com a estreia do primeiro longa, John Wick mostrou que é possível. A ação consegue inovar com o aperfeiçoamento das performances. E no terceiro longa da saga, a técnica continua a mesma, apesar de mais evidente. Confira o que esperar do novo longa!

Em John Wick: Parabellum, Keanu Reeves retorna à pele do assassino profissional que precisou deixar a aposentadoria de lado para mais uma vez garantir um banho de sangue com alta qualidade. Sendo este uma continuação direta do segundo longa, Parabellum inicia exatamente onde o último encerra. Após matar Santino D’Antonio, interpretado por Riccardo Scamarcio, dentro do Hotel Continental, Wick passa a ser perseguido pelos assassinos da Alta Cúpula. E, agora, ele precisa dar um jeito de lidar com a perseguição e continuar vivo.

Como esperado, Chad Stahelski volta à direção do longa e não hesita ao elaborar ainda mais o formato que consagrou a franquia no gênero. As sequências de ação e lutas corpo a corpo estão ainda mais fenomenais e refletem, inclusive, a exaustão do próprio personagem que entrou em um movimento frenético de perseguição. Afinal, os três filmes são ambientados em dias subsequentes. Porém de todos os longas esse é o que menos se preocupa em construir uma linha narrativa com detalhes e explicações. Do ponto de vista narrativo, John Wick: Parabellum não tem muito a acrescentar na mitologia estabelecida. Com isso é evidente que, apesar da cativante construção mitológica da saga, Stahelski prefere que a ação dite o enredo e não ao contrário. Uma pena.

Para amantes do gênero, é claro, isso está longe de ser um problema. Afinal, a premissa da franquia sempre foi estabelecer uma ação contínua e, por vezes, frenética. O problema nasce quando, para um filme com pouco mais de duas horas de duração, a ausência de diálogos transforme o ambiente de construção em um desenvolvimento raso. Com oscilações na construção, ora o ritmo contribui para uma empolgação, ora gera um bolsão de tédio pelo vazio não preenchido. E durante a narrativa a história até desperta curiosidades, algo que aponta como a mitologia consegue ser interessante, mas as curiosidades ficam só nisso mesmo.

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Por outro lado, as coreografias são excelentes. Projetadas de um modo cru e, por vezes, com vários planos-sequência Keanu Reeves mostra que entende sobre como ser dinâmico e ágil. Além disso, a fotografia também transforma o gênero. Por vezes, a sensação é estar olhando para algumas páginas de alguma HQ futurista. As cores vivas em neon tendem mais para os tons frios, embora em equilíbrio, assim como os cenários bem diversificados contribuem para uma boa experiência cinematográfica conforme a trama avança.

Para o terceiro capítulo, algumas novas inclusões no enredo soam como uma tentativa de dar frescor à saga. Entre elas, Halle Berry e Anjelica Huston interpretando Sofia e a Diretora, respectivamente. Ambas entram no enredo como pontos-chave para o desenvolvimento e caminho do personagem principal. Todavia, apesar da introdução destas personagens contribuírem para a expansão do universo, a falta de background em cada uma delas cria uma lacuna para o espectador. Ao mesmo tempo que o longa expande e idealiza conceitos interessantes, não faz questão de resolver nada que fuja ao cerne principal da história.

Vale acrescentar que Halle Berry garante a melhor cena de ação do longa com seus dois cachorros. Isso sem dúvidas continua sendo o destaque de John Wick. Não importa o que esteja em cena. Sejam armas, facas, livros, cavalos, motos ou cachorros – só faltou o lápis. Todos esses elementos resultam em armas perfeitas para cada conflito, cooperando bem com as coreografias. Fica claro que o foco do protagonista não é garantir o esplendor em seus diálogos, mas continuar sendo um assassino frio e sanguinário. Soa até levemente robótico, mas faz sentido ao cerne.

Por fim, John Wick: Parabellum consegue expandir o universo que envolve a Alta Cúpula sem necessariamente explicar os detalhes. É por isso que, em geral, o longa se preocupa mais com a condição da narrativa do que o pano de fundo que envolve cada personagem. Enquanto que para alguns isso é positivo, para outros é negativo. Este longa só não é o melhor da franquia justamente por apostar apenas da ação e seguir o declive narrativo que a saga já sofreu do primeiro para o segundo. Mas, em suma, John Wick: Parabellum é essencial não apenas para os amantes da saga, mas principalmente para os amantes do gênero.

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