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Críticas

Shazam!

29 jun 19 3 mins. de leitura
por Caique Araujo
ATENÇÃO: Esse artigo poderá conter alguns spoilers

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Título Shazam!
País EUA
Classificação 12 anos
Duração 132 mins.
Elenco Zachary Levi, Asher Angel, Mark Strong
Direção David F. Sandberg
Gêneros Ação, Fantasia
Ano 2019
Billy Batson (Asher Angel) tem apenas 14 anos de idade, mas recebeu de um antigo mago o dom de se transformar num super-herói adulto chamado Shazam (Zachary Levi). Ao gritar a palavra SHAZAM!, o adolescente se transforma nessa sua poderosa versão adulta para se divertir e testar suas habilidades. Contudo, ele precisa aprender a controlar seus poderes para enfrentar o malvado Dr. Thaddeus Sivana (Mark Strong).

Após de vários fiascos da DC Comics no cinema, os lançamentos como “Aquaman” e o próprio “Shazam!“, nascem como uma iniciativa clara de extinguir todos os traços que foram criados por Zack Snyder e concretizar um movimento mais “descompromissado”. Entretanto, nem sempre a mudança de ares pode ser uma atitude positiva. Como é o caso de Shazam! que, na opinião deste crítico que voz escreve, soa mais insalubre do que original.

Shazam nunca foi um personagem conhecido do grande público. Antigamente conhecido como Capitão Marvel, teve seu nome alterado após rivalidade com a editora concorrente. Ele sequer era realmente importante para DC. Entre adaptações e outras, Shazam passou a chamar atenção nos novos longas animados da DC Comics que o representaram exatamente como ele é: uma criança. A aposta em personagens “desconhecidos”, contudo, não é uma novidade. A Marvel fez o mesmo com Homem de Ferro, por exemplo. Mas, no final, Shazam não ganha o mesmo peso e nem a mesma força para impulsionar o Universo Cinematográfico da DC.

De certo modo, o longa metragem consegue ser bem fiel ao personagem. Afinal, Billy Batson, interpretado por Asher Angel, é uma criança que, mesmo após sua transformação, continua sendo uma criança. Inclusive, essa é a peça mais cativante do herói. Justamente por adicionar uma dinâmica e um tempero, antes inédito. Isso está presente no filme. Aliás, Zachary Levi soa, exatamente, como uma criança. O fato de ser impossível que o espectador enxergue o adulto na atuação é um ponto de vitória para a adaptação.

Mas, ainda sim, o longa está longe dos acertos. O espectador é apresentado à mescla de várias tentativas que outras obras. Talvez porquê nenhum nome da equipe técnica tenha alta experiência. Situações que deram certo, por exemplo, em Stranger Things, com a dinâmica das crianças, mas que aqui não funcionam com a mesma fluidez. É nítido como Shazam tenta posicionar a visão das crianças no longa e, sim, até consegue criar personagens interessantes, mas não se compromete com o desenvolvimento. Talvez isso deva-se ao fato de Shazam representar muitas apostas e não focar em nada como o cerne do filme.

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Em vários momentos, por exemplo, o diretor quer entregar a comédia, mas ele não sabe transpor à ação. Ele também quer entregar o drama, mas ele não sabe dosar a comédia. Fica visível que em Shazam temos uma equipe genérica, que não é especialista em nada. Fazem de tudo um pouco, mas nada bem feito. E a trama enrola, mais do que avança. Em relação aos arcos, por exemplo, é possível contar todos os eventos com apenas uma mão. Não há uma variação de cenas e o movimento dos personagens é limitado.

Não que caiba a comparação, mas Homem-Aranha: De Volta ao Lar faz melhor com os jovens e a escola. Ele as movimenta. É compreensível o fato de que a família é importante para Shazam. Afinal, o personagem é um órfão descolado, sem o seu lugar no mundo. Mas, ao mesmo tempo em que apresenta uma família acolhedora, essa família só decide ajudar a si mesma no final do último ato. E não falo aqui do apoio antes recusado por Billy, mas do apoio entre eles próprios que parecia existir, mas só acontece no final como na cena em que todos decidem lançar juntos no intervalo entre aulas.

Como era de se esperar de um filme do gênero heroico, o espectado procura pelo épico. Alguma cena grandiosa, algum momento espetacular, ou, pelo menos, qualquer evento que torne o filme inesquecível ou discutível. Mas, aqui, não tem nada disso. Ninguém vai comentar sobre Shazam assim que os créditos subirem. É uma obra puramente para o entretenimento, para passar o tempo. Fica claro a leveza e o descompromisso da DC. Não desenvolve e não agrega. Não tira, nem põe.

O próprio It, de 2017, consegue construir as crianças e um grupo melhor do que Shazam faz. E é justamente isso que o longa precisava: uma dinâmica elaborada entre o núcleo infanto-juvenil. Isso é Shazam. Isso que faz com que o personagem nos quadrinhos, funcionem. E também é por este motivo que o longa soa apenas como um tanto faz. É uma pena que os defeitos técnicos na história e na execução reverberem até em artistas experientes como Mark Strong, que soa como um Zod, de Homem de Aço, sem qualquer ânimo ou presença do Zod. No final, é uma pena que por mais divertido que seja, este está longe de ser um filme fenomenal.

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