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Entrevista exclusiva com Blake Crouch: Recursão, sci-fi e muito mais!
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Entrevista exclusiva com Blake Crouch: Recursão, sci-fi e muito mais!

10 jun 20 8 mins. de leitura
por Mandy Ariani

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As narrativas de ficção científica são reconhecidas por explorar conceitos complexos e intrigantes relacionados ao futuro, ciência e tecnologia. Apesar do progresso ser perseguido com empenho, essas obras nos mostram que nem sempre os avanços científicos significam a evolução das pessoas e, portanto, podem acarretar diversas consequências para os indivídios de uma sociedade. Afinal, os seres humanos são imperfeitos e o tempo provou que ter muito poder em nossas mãos é, no mínimo, perigoso. Para refletir sobre tudo isso através de histórias envolventes, nada melhor do que os livros de sci-fi e, felizmente, Recursão provou ser uma grande aposta desse gênero.

As memórias formam uma das partes mais importantes dos seres humanos e definem quem nós somos e como nos entendemos. Mas, você já parou para pensar em como seria se você não pudesse confiar nas suas próprias lembranças? Então, imagine acordar um dia e perceber que as memórias de uma vida que você viveu por anos são, na verdade, falsas. De repente, seus amigos são desconhecidos, seus filhos “desapareceram” e você não sabe como reagir. É a partir dessa premissa que Blake Crouch desenvolve Recursão e nos entrega um enredo ágil, envolvente e recheado de reflexões.

E se você acha que as “memórias falsas” são totalmente partes da ficção, vai se surpreender ao descobrir que o autor se inspirou em um experimento real. É isso mesmo. Os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Steve Ramirez e Xi Liu, implantaram uma memória falsa em um rato e o colocaram em um caixa de metal. Logo, o rato – ao invés de farejar os arredores com curiosidade – reagiu com terror ao se recordar de levar um choque terrível naquela mesma caixa. Porém, isso nunca aconteceu e se tratava de uma memória falsa introduzida pelos cientistas.

(…) De uma hora para outra, eles têm lembranças de duas vidas. Uma é verdadeira, a outra, falsa.

Definitivamente, é incrível como Blake Crouch trabalha de forma precisa com conceitos científicos, mas não pense que é só a ciência que mantém o leitor envolvido por Recursão. Ao trazer a história de Barry Sutton, um detetive traumatizado pela morte da filha, e Helena, uma neurocientista que deseja curar o Alzheimer, essa ficção científica cria um ambiente empolgante que todo amante do gênero vai amar conhecer. Esperamos, então, que aprecie essa entrevista e vá correndo garantir o seu exemplar!

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

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William Blake Crouch é um autor americano e um dos nomes mais importantes da ficção científica contemporânea. No Brasil, o autor publicou dois livros pela Editora Intrínseca, “Matéria Escura” e “Recursão”.

Entrevistadora: Olá, Blake! Eu gostaria de começar agradecendo você por aceitar essa entrevista, estamos muito felizes em tê-lo aqui. Vamos começar com algo que muitos fãs brasileiros querem saber: “Recursão” explora conceitos extremamente complexos, mas ainda assim, tudo é muito consistente. Foi difícil para você combinar ciência e narrativa neste livro? O que você diria para ajudar escritores iniciantes de ficção científica?

Original: Hi, Blake! I would like to start by thanking you for accepting this interview, we are very happy to have you here. We will start with something that many Brazilian fans want to know: “Recursion” explores extremely complex concepts, but still everything is very consistent. Was it hard for you to combine science and narrative in this book? What would you say to help beginning science fiction writers?

Blake Crouch: Extraordinariamente difícil! Eu tenho um ótimo consultor científico chamado Clifford Johnson, que é o chefe de astrofísica da USC (na Califórnia). Ele consulta os filmes da Marvel e também me ajudou com Matéria Escura e Recursão, em termos de garantir que minha ciência seja a mais precisa possível. Além disso, eu diria que você não pode deixar a ciência sobrecarregar a narrativa. Não importa o quê, os personagens e a história são os mais importantes. A ciência é como sal. Em excesso estraga tudo.

Original: Extraordinarily difficult! I have a great scientist consultant named Clifford Johnson who is the head of astrophysics at USC (in California). He consults on the Marvel movies and also helped me with Dark Matter and Recursion, in terms of making sure my science is as accurate as possible. Also, I would say you can’t let the science overwhelm the narrative. No matter what, the characters and story are the most important. The science is like salt. Too much ruins it.

Entrevistadora: Se você pudesse voltar para um momento no passado como Barry ou Helena (sem destruir o planeta), qual momento você escolheria?

Original: If you could go back to a moment in the past like Barry or Helena (without destroying the planet), which moment would you choose?

Blake Crouch: Eu não voltaria. Esse é o grande ponto do livro. Não viva no passado! Olhe para frente.

Original: I wouldn’t. That’s the whole point of the book. Don’t live in the past! Look ahead.

Entrevistadora: Nós estamos muito empolgados com a adaptação do livro para a Netflix! Você tem alguma expectativa sobre isso? Compartilhe conosco!

Original: We are very excited about the Netflix adaptation of the novel! Do you have any expectations about that? Share with us!

Blake Crouch: Incrivelmente animado! Ainda não há nada grande para relatar, mas as coisas estão começando a avançar, foi o que me disseram …

Original: Incredibly excited! Nothing huge to report yet, but things are beginning to move forward, I’m told…

Entrevistadora: “Recursão” nos apresentou uma história em que acordar com uma vida que você não reconhece mais como sua pode ser muito difícil. Além disso, o livro explora assuntos como os limites do avanço científico, cenários apocalípticos e nossas memórias. De onde veio seu desejo de trabalhar nesses tópicos? Você já sabia que iria explorar tantos assuntos antes de começar a escrever?

Original: “Recursion” presented us with a story in which waking up to a life that you no longer recognize as yours can be very difficult. Also, it explores subjects such as the limits of scientific advancement, apocalyptic scenarios, and our memories. Where did your desire to work on these topics come from? Did you know that you would explore so many subjects before you start writing?

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Blake Crouch: Depois de Matéria Escura, eu sabia que queria escrever sobre memórias e o quanto elas são importantes para formar nossa identidade. Tudo no livro fluiu dessa decisão. Além disso, quando eu era jovem, meu avô tinha demência e Alzheimer e estava perdendo suas memórias. Eu tinha oito anos na época e isso causou uma grande impressão em mim. Eu gostaria de poder ter salvado suas memórias e é daí que veio o esforço de Helena para criar a cadeira da memória.

Original: After Dark Matter, I knew I wanted to write about memories and how important they are to forming our identity. Everything in the book flowed out of that decision. Also, when I was young my grandfather had dementia and Alzheimer’s and was losing his memories. I was eight at the time and it made a huge impression on me. I wished I could have saved his memories and that’s where Helena’s drive to create the memory chair came from.

Entrevistadora: Como você se tornou um escritor de ficção científica? Você acha que algum livro de sci-fi contribuiu para essa decisão de alguma maneira?

Original: How did you become a science fiction writer? Do you think any sci-fi book contributed to this decision in any way?

Blake Crouch: Eu me apaixonei pela ciência depois da universidade. Eu sempre me interessei por tecnologias e teorias em ascenção (como a interpretação de muitos mundos da mecânica quântica). Cerca de dez anos atrás, eu decidi que não havia razão para não incorporar esse amor pela ciência em meus romances. Minha maior inspiração em termos de escritores de ficção científica foi Michael Crichton. Eu adoro como ele combinou ideias científicas complicadas e enredos emocionantes.

Original: I fell in love with science after university. I was always interested in emerging technologies and theories (such as the many-world interpretation of quantum mechanics). About ten years ago, I decided there was no reason I shouldn’t be incorporating that love of science into my novels. My biggest inspiration in terms of sci-fi writers was Michael Crichton. Love how he combined complicated scientific ideas and thrilling plots.

Entrevistadora: Os fãs brasileiros podem esperar por uma nova publicação? Você está trabalhando em algo agora? Gostaríamos muito de saber um pouco mais sobre seus projetos futuros!

Original: Can Brazilian fans wait for a new publish? Are you working on something right now? We will love to know a little more about your future projects!

Blake Crouch: Eu estou trabalhando em um novo livro no momento. Estou no meio do caminho. Estou muito empolgado para compartilhá-lo com o mundo, mas é muito cedo para dar quaisquer detalhes!

Original: I am working on a new novel at the moment. I’m halfway finished. I’m so excited to share it with the world but it’s way too early to give away any details!

Entrevistadora: Obrigado pela entrevista! Nós adoramos saber mais sobre você e “Recursão”. Se você quiser, pode deixar uma mensagem para nossos leitores!

Original: Thanks for the interview! We love to know more about you and “Recursion”. If you want, you can leave a message for our readers!

Blake Crouch: Muito obrigado por todo o apoio do Brasil! Quando se tornar seguro viajar novamente, quero visitar o Brasil e conhecer meus fãs!

Original: Thanks so much for all the support from Brazil! When it becomes safe to travel again, I want to visit Brazil and meet my fans!

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Barry Sutton é policial em Nova York e convive com a tristeza da morte da filha. Ao ser acionado para intervir em uma tentativa de suicídio, ele se depara com uma mulher que sofre da Síndrome da Falsa Memória, uma doença misteriosa que planta na cabeça de suas vítimas lembranças de vidas que elas nunca tiveram.
A neurocientista Helena Smith está desenvolvendo uma tecnologia para a cura do Alzheimer. Inesperadamente, um dos homens mais ricos do mundo se oferece para financiar sua pesquisa. Helena vê surgir a chance de propiciar um grande bem para a humanidade. No entanto, não poderia estar mais enganada…
A tecnologia que deveria salvar vidas acelera a marcha galopante do caos, gerando uma guerra pelo poder e criando recursos que começam a esfacelar a realidade. O tempo não é mais como o conhecemos, e Barry e Helena terão de se unir se quiserem sobreviver — e salvar a todos nós.
Um dos nomes mais importantes da ficção científica contemporânea, Blake Crouch constrói uma jornada desnorteante, com personagens complexos, que nos fazem refletir sobre nossa identidade. Uma trama intrincada, ágil e emocionante, que mostra que, quando nada é mais importante do que a memória, perdê-la significa perder a si mesmo.

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