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A Cor Púrpura

14 jul 20 4 mins. de leitura
por Mandy Ariani

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Título A Cor Púrpura
Autor(a) Alice Walker
Tradutor(a) Betúlia Machado
Editora José Olympio
Páginas 336
Ano 2016
Vencedor do Prêmio Pulitzer em 1983 e inspiração para a obra-prima cinematográfica homônima dirigida por Steven Spielberg, o romance A cor púrpura retrata a dura vida de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Pobre e praticamente analfabeta, Celie foi abusada, física e psicologicamente, desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido. Um universo delicado, no entanto, é construído a partir das cartas que Celie escreve e das experiências de amizade e amor, sobretudo com a inesquecível Shug Avery. Apesar da dramaticidade de seu enredo, A cor púrpura se mostra muito atual e nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder, em uma sociedade ainda marcada pelas desigualdades de gêneros, etnias e classes sociais.

A Cor Púrpura, de Alice Walker, é uma das mais prestigiadas obras da literatura norte-americana. Através das cartas que Celie escreve para Deus, nós acompanhamos uma jornada marcada por injustiças, presenciando o racismo, a violência doméstica e sexual, além de diversos tipos de desigualdade. Porém, entre tantas brutalidades, nós também nos surpreendemos pela resistência dos personagens e sua força, assim como pelo poder do amor. O resultado final dessa mistura é uma história arrebatadora, reflexiva e muito – MUITO – importante.

A trama acompanha Celie, uma mulher cujo maior propósito é sobreviver. Logo nas primeiras páginas, o livro já nos dá um soco no estômago. Ver os abusos que Celie sofre pelo homem que ela conhece como pai não é fácil e gera um incômodo terrível no leitor. Essa sensação persiste ao longo de todo o livro quando outras mulheres negras tornam-se vítimas de alguns dos piores tipos de violência. É importante dizer, então, que essa não é uma leitura fácil e pode conter gatilhos.

Mas eu num sei como brigar. Tudo o queu sei fazer é cuntinuar viva.

Na condição de uma mulher negra, solitária e semianalfabeta, Celie viva uma vida de submissão e dores incontáveis. Entre o passado doloroso com o homem que a criou e a vida com Albert, seu marido abusivo, a única figura de amor que Celie encontra é em Nettie, sua irmã. Com o tempo, porém, ambas são obrigadas a traçarem caminhos diferentes e Celie fica completamente sozinha.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

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Adaptado em 1985 e dirigido por Steven Spielberg, o filme recebeu 11 indicações aos Oscar e contou com um elenco de peso, incluindo Whoopi Goldberg, Oprah Winfrey e Danny Glover.

A partir desse cenário, nós vamos conhecer as vivências e anseios de uma mulher que precisa aguentar todos os males da sociedade em que vive sem nunca revidar. Ao começar a leitura de A Cor Púrpura, eu imaginei que temas atuais como racismo, machismo e segregação seriam debatidos. Porém, eu me surpreendi com uma narrativa que vai muito além, explorando também assuntos como a importância da identidade, o embranquecimento de figuras religiosas, a descoberta da sexualidade e, até mesmo, o amor entre mulheres. Tudo isso é desenvolvido de forma única através da escrita genuína de Alice Walker, que mantém a profundidade nas discussões e torna os personagens da trama ainda mais complexos.

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A história toma novos rumos quando Albert decide cuidar de Shug Avery, uma cantora com quem manteve um relacionamento amoroso no passado. Celie, que sempre sentiu certa curiosidade por essa mulher distinta, passa a cuidar dela dia e noite a fim de restabelecer sua saúde precária. Logo, a conversa entre as duas abre os horizontes de Celie, mostrando-lhe novas formas de viver. Aos poucos, ela descobre que pode amar, ser amada, sentir prazer e enfrentar as injustiças que a cercam.

O homem corrompe tudo, Shug fala. Ele tá na sua cumida, na sua cabeça, e o tempo todo no rádio. Ele tenta fazer você pensar que ele tá em todo lugar. E quando você pensa que ele tá em todo lugar, você começa a pensar que ele é Deus. Mas ele num é.

Sem dúvidas, o que eu mais gostei em A Cor Púrpura foi a forma como a autora descreveu mulheres fortes com formas diferentes de resistência. Apesar de todo o sofrimento, nós vibramos quando elas assumem o próprio destino e fazem o melhor que podem, seja lutando contra um marido violento em casa ou vivendo a vida da forma que desejam sem se importar com a falação das pessoas. Se eu pudesse descrever as mulheres desse livro com uma palavra, eu usaria sobreviventes. Elas ultrapassam nossas expectativas e superam suas provações como ninguém!

Além disso, o fato do livro se tratar de um romance epistolar (estruturado em cartas), tornou tudo ainda mais palpável. As cartas de Celie são escritas de maneira simples e cheia de erros ortográficos, exemplificando seu grau de escolaridade. Apesar disso, a sua compreensão de mundo é incrível e acompanhar suas ideias evoluírem com o tempo é sensacional.

Existem tantas coisas que nós não compreendemos. E tanta infelicidade acontece por causa disso.

No mais, recomendo essa leitura sem medo algum! A Cor Púrpura permanece tão relevante e necessário que nos faz pensar que o livro foi publicado ontem e não em 1982. Ao explorar problemáticas ainda muito atuais e trazer personagens incrivelmente reais, essa narrativa vai proporcionar altas doses de reflexões e tristezas, mas sem deixar de lado o poder do amor e da esperança.

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