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Resenhas

A Gaiola de Ouro

10 jul 20 3 mins. de leitura
por Mandy Ariani
Esta publicação é fruto de uma PARCERIA

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Título A Gaiola de Ouro
Autor(a) Camilla Läckberg
Tradutor(a) Fernanda Åkesson
Editora Arqueiro
Páginas 320
Ano 2020
Jack e Faye começaram a namorar na faculdade: um garoto criado em berço de ouro e uma jovem que se esforçou para enterrar um passado sombrio. Quando ele decide criar uma empresa, ela deixa os estudos e passa a trabalhar de dia, dedicando as noites a traçar a estratégia do novo negócio. A companhia se torna um sucesso bilionário, mas Faye se sente como um lindo pássaro preso numa gaiola, apenas cuidando da filha em casa e sendo exibida pelo marido, que toma todas as decisões da empresa. Jack agora despreza sua inteligência, esquecendo tudo o que ela sacrificou por ele. Quando Faye descobre que ele tem um caso, a bela fachada de sua vida desmorona. De uma hora para outra, ela está sozinha, emocionalmente abalada e sem nenhum centavo – porém nada pode se comparar à fúria de uma mulher com um passado violento determinada a se vingar Jack está prestes a receber o que merece, e muito mais. Nesta eletrizante história de sexo, traição e segredos, Camilla Läckberg prova ser uma das vozes mais importantes do suspense mundial.

Um bom livro de suspense é capaz de manter o leitor tenso, envolvido e ansioso, além de nos fazer pensar em diversas teorias e nos surpreender com grandes reviravoltas. Em alguns desses pontos, A Gaiola de Ouro cumpre seu papel com maestria, mas em outros não alcança totalmente nossas expectativas. Sem mais delongas, então, vamos a resenha!

A trama acompanha Faye e Jack, um casal extremamente rico que – em um primeiro momento – parece ter a vida perfeita. Com os negócios cada vez melhores e uma filha pequena, poucas pessoas poderiam desconfiar da felicidade dessa relação, mas logo nós descobrimos que as aparências não poderiam ser mais enganosas. Após desistir de seus objetivos para ajudar o atual marido a abrir a Compare, uma empresa de sucesso nos dias atuais, Faye passa a ser menosprezada. Com o tempo, seus talentos são rejeitados e ela assume o papel que nunca desejou: uma “esposa troféu” rica e com as tarefas mais superficiais possíveis.

Ela não lembrava qual havia sido o motivo da discussão, apenas que fora culpa sua.

Em contra partida, Jack vive uma das melhores fases da sua vida. Considerado um dos homens de negócios mais importantes atualmente, ele controla a Compare e vive com uma esposa extremamente submissa que está pronta para satisfazer todas as suas vontades. Não é surpreendente, então, quando descobrimos que ele está tendo um caso e pronto para deixar a esposa que não apenas sacrificou tudo por seu sonho, mas tornou-o possível com sua inteligência aguçada.

Sem dúvidas, o ponto alto do livro é o desenvolvimento da complexa relação entre Faye e Jack. Apesar de A Gaiola de Ouro retratar claramente um relacionamento abusivo e suas fases, nós definitivamente não estamos apenas diante de abusadores e vítimas. Ao alternar entre passado e presente, a autora muda nossa percepção sobre os personagens e os papéis se misturam. Aos poucos, percebemos que a Faye não é só uma mulher fragilizada e, na verdade, ela é capaz de tudo para conseguir o que deseja. Nesse caso, a vingança contra seu marido.

Na minha concepção, desenvolver uma protagonista incomum que está longe de ser apenas uma vítima foi uma ótima sacada de Camilla Läckberg. De início, Faye aparece como uma mulher que nos incomoda por sua submissão, mas depois se transforma em uma protagonista complicada que faz nossos sentimentos por ela mudarem ao longo da história. Entre a empatia e a aversão pela personagem, eu diria que o ponto forte desse livro não são as reviravoltas, pois essas são óbvias na maioria das ocasiões. O maior acerto da trama é justamente a jornada de Faye, ou seja, descobrir o que ela fez e o que mais será capaz de fazer.

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O maior problema das pessoas, percebi, é que elas projetam suas dores nos outros, querem dividi-las. Acham que somente por termos um DNA parecido vamos nos sentir tristes diante das mesmas situações. A tristeza não fica mais leve apenas porque a dividimos com alguém. Pelo contrário, fica até mais pesada.

Com relação aos personagens secundários, não posso deixar de citar a subtrama de Chris. A melhor amiga de Faye é uma mulher empoderada que sempre tentou abrir seus olhos para suas escolhas, mas cuja opinião era sempre desconsiderada. Ela se tornou minha personagem favorita nesse livro e – possivelmente – a única que tem as características necessárias para conquistar de fato o leitor.

Além disso, como grande parte dos thrillers, A Gaiola de Ouro é recheado de gatilhos. Assuntos como violência doméstica, relacionamentos abusivos, abuso e assassinato são explorados no livro. Então, se você se sente fragilizado por algum desses temas, talvez não deva ler essa história.

Se cada célula do meu corpo se renovava, substituída por outra, poderia ocorrer a mesma coisa com a memória.

Como alguém que ama suspenses onde os personagens são bem desenvolvidos, A Gaiola de Ouro foi uma ótima experiência de leitura para mim. A escrita de Läckberg é extremamente fluida e envolvente, nos mantendo interessados até o final – não é atoa que eu terminei essa leitura em apenas dois dias. Porém, se você prefere suspenses com reviravoltas surpreendentes e sem nenhuma ponta solta, esse livro pode não ser tão bom para você.

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