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A Guerra que Salvou a Minha Vida

18 maio 19 4 mins. de leitura
por Mandy Ariani

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Título A Guerra que Salvou a Minha Vida
Autor(a) Kimberly Brubaker Bradley
Tradutor(a) Mariana Serpa Vollmer
Editora DarkSide Books
Páginas 240
Ano 2017
Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor.

A resenha de hoje é sobre um livro que me surpreendeu demasiadamente: A Guerra que Salvou a Minha Vida. Quando me deparei com essa narrativa, eu não imaginei quão incrível seria minha experiência. Porém, fico emocionada ao dizer que essa história é triste e feliz, esperançosa e desesperadora, afetuosa e hostil. Se você ainda não entendeu o que eu quero dizer, a trama da Kimberly é simplesmente tudo ao mesmo tempo!

Com um enredo impecável e historicamente preciso, A Guerra que Salvou a Minha Vida nos carrega para uma jornada sensacional, na qual vamos refletir sobre o amor, os preceitos de família, a amizade, o medo e, até mesmo, a discriminação. Sem dúvidas, um livro emocionante e que vale a pena ser lido!

Existe guerra de tudo quanto é tipo.

A trama gira em torno de Ada, uma criança muito madura para sua idade. Afinal, a jovem menina cuida de seu irmão mais novo, Jamie, e ainda lida com as consequências de sua deficiência. Acontece que a Ada tem o pé torto, e por isso a sua mãe sente vergonha e acaba proibindo a nossa protagonista de fazer qualquer coisa. Por isso, a Ada não pode brincar com as outras crianças ou mesmo sair de casa. Então, ela apenas passa seus dias observando a rua através de sua janela.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Resenha A Guerra que Salvou a Minha Vida

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Não é fácil ser uma criança com deficiência, ainda mais, quando sua família não oferece apoio ou suporte algum. Em A Guerra que Salvou a Minha Vida, nós vemos um preconceito muito forte na mãe de Ada. Pois, ela desqualifica sua filha de todas as formas possíveis, além de ser extremamente rígida e ignorante – se preparem para passar muita raiva. Logo, é bem triste ver como a Ada perdeu seu direito à infância, enquanto seu irmão é livre para fazer o que quiser.

“Você não passa de uma desgraça!”, ela gritava. “Um monstro, com esse pé horrível! Acha que eu quero o mundo todo vendo a minha vergonha?”

No entanto, toda a realidade de Ada e Jaime muda abruptamente. Com a ameaça da guerra e, principalmente, dos bombardeios, grande parte das crianças são evacuadas de Londres e levadas para lares provisórios. Com isso, a personagem principal vê a chance perfeita para deixar sua luta diária para traz, e se salvar junto com seu irmão. Logo, Ada e Jaime são levados para o interior e inseridos numa nova vida.

No interior tudo é muito diferente, e a pessoa designada para ficar com Ada e Jaime não pareceu gostar nada da ideia. Assim como a mãe das crianças, Susan Smith não demonstrava querer estar com eles, mas acabou sendo vencida pelas circunstâncias. Contudo, todos esses personagens ainda vão descobrir muitas coisas sobre si mesmos. E você, caro leitor, vai amar cada momento dessa jornada.

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Além disso, o fato da narração ser através dos olhos de uma criança só torna tudo mais especial, ainda mais sendo a Ada. Afinal de contas, ela tem perspectivas muito interessantes e pensamentos que, por vezes, nos fazem parar e refletir sobre tudo. Ademais, Ada é uma criança que foi muito maltratada, e no livro é doloroso ver as cicatrizes que ela carrega graças à todos os abusos.

É valido ressaltar que apesar dessa trama se passar na Segunda Guerra Mundial, esse não é o foco principal. Esse não é um livro sobre as atrocidades do Hitler, campos de concentração e perseguições nazistas. Esse é um livro sobre uma garotinha que sofreu tanto abuso psicológico que passou a ter medo do amor, mas mesmo assim decidiu não viver intimidada.

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A Guerra que Salvou a Minha Vida deve ser lido por todos os leitores!

Entre sorrisos e lágrimas, o enredo de Kimberly nos mostra que as lutas não acontecem só na guerra, mas no nosso próprio cotidiano. Com personagens cativantes, o leitor verá o valor da persistência, do apoio e da vontade de vencer. Afinal, apesar de não estarem especificamente em um campo de batalha, os personagens têm seus próprios conflitos. Inclusive, um destaque especial para a Susan, uma mulher que precisou vencer sua depressão para ser o que duas crianças desconhecidas precisavam – alguém que realmente cuidasse delas.

“Consigo cuidar do Jaime.”

“Provavelmente, mas alguém tem que cuidar de você.”

Se você acha que eu relevei demais sobre essa história, saiba que essa trama é muito mais do que tudo isso. Esse livro nos traz uma carga emocional grande, mas também nos deixa esperançosos e admirados com a inocência de uma criança. Não obstante, a edição da DarkSide Books está deslumbrante. Com capa dura, páginas especiais e um projeto gráfico de ótima qualidade, a nossa experiência se torna ainda mais especial!

A Guerra que Salvou a Minha Vida tem uma leitura super fluida – eu terminei de ler em apenas dois dias. Portanto, é impossível lagar esse livro e, ao final, nós já queremos correr para a continuação. Definitivamente, é uma trama carregada de lições, sinceridade e muito impacto. Posto isso, recomendo esse livro sem medo algum!

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