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Resenhas

A Menina do Outro Lado: Volume 2

15 set 19 3 mins. de leitura
por Caique Araujo

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Título A Menina do Outro Lado: Volume 2
Autor(a) Nagabe
Tradutor(a) Renata Garcia
Editora DarkSide Books
Páginas 176
Ano 2016
Quando um forasteiro invade a casa que eles habitam e toca no rosto de Shiva, tudo parece estar perdido. Com mais perguntas do que respostas, Shiva e Sensei partem em uma jornada em busca da verdade. Estaria a garotinha correndo perigo? E poderia a floresta revelar tudo aquilo que eles precisam saber?

Há algum tempo atrás publiquei aqui, neste mesmo blog, a resenha sobre o primeiro volume da Menina do Outro Lado. Com sua história encantadora e um final surpreendente, corri atrás da continuação desta obra que conquistou 5 estrelas deste que vos escreve. Entretanto, por uma série de razões, nem sempre as continuações funcionam. E, no mínimo, o segundo volume do manga de Nagabe é o mesmo que antes. Reafirmando a ideia do criador de não se preocupar em manter o leitor informado. Confira a análise detalhada nesta resenha!

Como já era de se esperar, o segundo volume da Menina do Outro Lado apresenta o capítulo 6 ao 10 e começa exatamente onde havia se encerrado. Para quem já leu o primeiro volume e a resenha já publicada – que você pode ver clicando aqui sabe o quanto o último quadro da última página foi devastador. A própria história cria um mito acerca deste acontecimento, levando, claro, o leitor à loucura em uma sede incessável pela continuação. Em um mundo da informação, todos nos queremos respostas.

Mas, o problema é que a entrega não é, nem de perto, compatível com a expectativa. Enquanto a narrativa conduziu o leitor a pensar que tudo havia acabado ali, os quadros destes novos capítulos apresentam eventos confusos, permitindo que o mistério se prolongue ainda mais. Não é possível afirmar que este é um ponto negativo da obra, mas torna-se um clone dos primeiros cinco capítulos. Não somos contextualizados ao universo, não somos apresentados aos conceitos. Nagabe insiste demais na expectativa do grande mistério por trás de tudo e toma como prioritária a relação dos protagonistas.

A diferença primordial de um volume para o outro, entretanto, estão no ponto de vista narrativo. Enquanto que no primeiro foi fundamental para apresentação dos personagens e construção da sensibilidade; no segundo, somos apresentados aos problemas com os quais eles precisam lidar. Infelizmente, esses eventos ainda são muito contidos. Eles não expressam um interesse legítimo pela continuidade. A melhor tradução possível para essa experiência é que somos espectadores do cotidiano de Shiva e Sensei como ele é. Ou seja, o que acontecer além disso não é importante para história. Logo, por isso, cenas explicativas ou detalhadas não fazem parte do movimento.

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Outro ponto em destaque que tornou-se negativo, são os traços pesados de Nagabe. Eles são lindos e é possível ficar maravilhado com a montagem, uma criatura horrenda e uma pequena criança de aparência doce. Contudo, existem cenas e mais cenas, em alguns casos páginas completas, que a mistura sombria de cenários densos com personagens escuros torna impossível ver qualquer coisa. Não dá para distinguir uma objeto do outro e dificilmente você vai entender a imagem das criaturas. O desenho, desta vez, forçou um pouco além do que o traço permitia e impossível absorver o melhor das cenas visualmente para, então, compreender o que estava acontecendo ali.

Depois de ler os dois volumes, ao todo dez capítulos, fica claro a intenção de Nagabe. E, se não fosse por isso, talvez essa continuação deveria levar três estrelas e meia. Uma vez que você entende que a ideia do criador é apenas construir uma relação de carinho e amizade entre os dois protagonistas, é a isso que o manga se preza. Apesar de, para tanto, rodear a história de mistérios, dúvidas, e manter no leitor todas as questões necessárias para que, pelo menos, ele insista em avançar e descobrir “qual a história por trás do que Sensei esconde da menina do outro lado” e “e o por que Shiva parece ser tão diferente de tudo e de todos”. Existem espaços para interpretação, mas nenhuma resposta tangível e definitiva.

E é dessa forma que este segundo volume decepciona o leitor. Reforço, a entrega não é compatível com a expectativa. E, novamente, encerramos o décimo capítulo da trama com um evento, novamente, bombástico. Agora, contudo, com as expectativas mais gerenciadas. Provavelmente, não teremos respostas no terceiro volume e ainda estaremos no limbo angustiante da dúvida. Todavia, mesmo assim, esse que vos fala ainda quer continuar a leitura. Afinal, Nagabe sustenta os quadros pelo mistério e você ainda quer descobrir as respostas por mais frustantes que pareça não ter no momento em que elas seriam essenciais.

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