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Resenhas

A Última Festa

01 Maio 20 4 mins. de leitura
por Mandy Ariani

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Título A Última Festa
Autor(a) Lucy Foley
Tradutor(a) Marina Vargas
Editora Intrínseca
Páginas 304
Ano 2020
Todo ano, nove amigos comemoram o réveillon juntos. Desta vez, apenas oito vão voltar para a casa depois da festa. Programado para acontecer em um cenário idílico, o réveillon que Miranda, Katie e os outros amigos que conheceram na faculdade passarão juntos este ano promete refeições deliciosas regadas a champanhe, música, jogos e conversas descontraídas. No entanto, as tensões começam já na viagem de trem — o grupo não tem mais nada em comum além de um passado de convivência, feridas jamais cicatrizadas e segredos potencialmente destrutivos. E então, em meio à grande festa da última noite do ano, o fio que os mantém unidos enfim arrebenta. No dia seguinte, alguém está morto e uma forte nevasca impede a vinda do resgate. Ninguém pode entrar. Ninguém pode sair. Nem o assassino. Contada em flashbacks a partir das perspectivas dos vários personagens, a história deste malfadado encontro é um daqueles mistérios de assassinato cheio de tensão e de ritmo perfeito. Com uma trama assustadora e brilhantemente construída, A Última Festa planta no leitor a semente da dúvida: será que velhos amigos são sempre os melhores amigos?

A Última Festa, de Lucy Foley, nos presenteia com uma premissa intrigante e misteriosa que nos faz lembrar um pouco os livros da Agatha Christie. Com direito a um assassino desconhecido e diversos suspeitos presos em um lugar sem possibilidade de saída, o suspense da obra é construído de forma magnífica, desenvolvendo extremamente bem os personagens e mantendo os leitores ansiosos para descobrir a verdade.

Miranda e Katie se tornaram amigas inseparáveis na infância, mas quando ambas vão para a faculdade seu círculo social cresce e elas formam laços fortes com Samira, Julien, Mark, Giles e Nick. Mais tarde Bo e Emma também chegam ao grupo e passam a fazer parte dessa pequena associação. Juntos, os amigos viveram experiências memoráveis que apesar de não mantê-los unidos como antigamente, faz com que eles passem toda virada de ano juntos e revivam algumas dessas memórias.

Porque há algo inquietante nesse isolamento, em saber como estamos longe de tudo.

Contudo, assim como muitos grupos de amigos, eles guardam diversos segredos e quando alguns começam a vir à tona o resultado é desastroso. Quando Emma organizou uma viagem de ano novo para aproximar a todos, ela planejou tudo perfeitamente, escolhendo um lugar tranquilo e afastado que poderia trazer ótimos momentos e recordações.

Contudo, não demora para que a paisagem afastada, selvagem e castigada pelo inverno comece a se mostrar menos tranquila e mais perigosa com o passar do tempo. Tudo piora quando um corpo é encontrado em meio à uma nevasca com sinais de um homicídio, o que significa apenas uma coisa: um dos hóspedes assassinou alguém e ninguém pode deixar ou acessar o local. A partir dessa premissa, Lucy Foley usa uma narrativa inteligente que varia entre passado e presente para mostrar situações que não conhecemos e segredos que pairam ao redor dos protagonistas, abordando assuntos como relacionamentos abusivos, amizades tóxicas e stalking (perseguição).

Definitivamente, uma das coisas que eu mais gostei em A Última Festa é a abordagem da amizade e como devemos refletir sobre as razões para mantermos aqueles que chamamos de “amigos” em nossa vida. Será que a relação é realmente boa para você e a pessoa realmente lhe faz bem? O livro de Lucy Foley utiliza diversos pontos de vistas para mostrar que de vez em quando acabamos em relações que nunca foram realmente boas, assim como a necessidade de entender quando algum relacionamento não está mais acontecendo da forma que gostaríamos.

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Todos os amigos carregam alguns estereótipos bem conhecidos, então existe a “amiga gostosa”, a “amiga reservada”, o “amigo bobão” e outros mais. Porém, com o tempo essas imagens que a autora cria vão sendo desconstruídas e começamos a distinguir melhor esses personagens. Inclusive, o fato do livro ser narrado por pessoas diferentes ajuda muito nessa questão e foi uma escolha sábia da Foley para aumentar o clima de suspense.

Além desse grupo de amigos, nós também conheceremos dois hóspedes, a administradora do lugar e um homem misterioso que trabalha como uma espécie de “caçador”. Todos eles possuem alguns mistérios ou escondem alguma coisa – e isso é muito interessante, pois não deixa a história concentrada apenas ao grupo de amigos, mas também traz outros personagens que chamam nossa atenção de alguma forma.

Esse é o problema, sabe. Algumas pessoas, submetidas a determinada pressão, fora dos ambientes aos quais estão habituadas e nos quais se sentem confortáveis, não precisam de muito incentivo para se transformar em monstros.

Os personagens do livro são muito bem desenvolvidos e a autora consegue trazer personalidade para a maioria deles de uma forma convincente. Porém, é preciso ressaltar que estes não são personagens criados para “conquistarem” o leitor, muito pelo contrário. A maioria é simplesmente intragável e a vontade do leitor se resume a entrar no livro para dar uns tapas em alguns ou recomendar uma boa terapia para outros, mas tudo isso possui algum propósito dentro da narrativa proposta. No geral, esse livro causa alguns sentimentos variados aos leitores e em alguns momentos a raiva e a surpresa são inevitáveis, mas é impossível para de ler até desvendar o mistério.

Sem dúvidas, A Última Festa constrói muito bem a relação entre os amigos e, apesar de haver uma boa quantidade de personagens, nós passamos a conhecer todos de forma clara. Eu adorei a forma como o livro foi revelando os segredos, oscilando entre passado e futuro para mostrar algo que já estava na nossa frente o tempo todo. Para mim, o plot não foi tão surpreende, pois a obra não traz um quebra-cabeça tão difícil de montar, mas isso não tira o mérito do livro ter prendido minha atenção totalmente e criado um enredo tão bem desenvolvido. Se você gosta de suspense tanto quanto eu, esse livro oferece isso na doce certa e pode ser uma aposta incrível!

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Cornelia FunkeCoração de Tinta, 2003.

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