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As Dez-Vantagens de Morrer Depois de Você

09 jan 20 3 mins. de leitura
por Juliana Sandis

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Título As Dez-Vantagens de Morrer Depois de Você
Autor(a) Fernanda de Castro Lima
Tradutor(a) -
Editora Verus
Páginas 252
Ano 2019
Coisas mágicas acontecem quando a gente se abre para o mundo. Gabriela Muniz tem dez desafios a cumprir, um mais desconcertante que o outro. Saltar de paraquedas é só o começo — ela ainda vai ter que distribuir abraços a desconhecidos, aprender a dançar, cantar para uma multidão, entre outros itens da lista que sua amiga Júlia deixou para ela. A ideia surgiu em uma tarde em que as duas não tinham muito o que fazer: inventar dez coisas para a amiga cumprir caso a outra morresse. E que fossem coisas absurdas, já que, aos dezessete anos, a morte era algo muito, muito distante. Mas, quando Júlia sofre um terrível acidente, resta a Gabriela a memória de sua melhor amiga — e a lista de desafios, que agora terão de ser cumpridos. Entre situações que tiram a pacata Gabriela completamente da zona de conforto — é sério que a Júlia incluiu "Se apaixonar" na lista? —, ela talvez aprenda que a vida pode ser mais leve quando vivida com alegria e intensidade.

Você consegue resistir a uma boa história adolescente? Pois eu não. Adoro acompanhar os dramas, as rebeldias, as aventuras e descobertas que os personagens passam no decorrer de um livro Young Adult. Em As Dez-Vantagens de Morrer Depois de Você, nós conheceremos a Gabriela, que com apenas 17 anos já carrega o peso de uma dor sem tamanho: sua melhor amiga, Julia, morreu em um acidente de carro.

Gabriela e Júlia cresceram juntas, sempre fizeram tudo juntas e eram praticamente como irmãs. Elas tinham personalidades opostas – enquanto Júlia era animada, aventureira e sempre buscava se arriscar para ter coisas melhores, a Gabriela é calma, centrada e até um pouco medrosa – mas elas sempre se completaram. Então não é atoa que Gabi agora se sente perdida, como se faltasse metade de si mesma.

Um ano antes da tragédia, ela e a amiga haviam, despretensiosamente, trocado listas de 10 coisas que a outra deveria fazer caso uma delas morresse. Uma brincadeira boba para o momento, e Gabriela nunca pensou que teria que abrir cada uma das cartas de desafios de Julia, muito menos tão cedo assim. E agora, cumprir os desejos da amiga é tudo o que ela pode fazer.

Pra mim o mais difícil é conviver com o nunca mais. Eu nunca mais vou ver a Júlia, nunca mais vou ouvir a voz dela ou abraçar a minha amiga, nunca mais vamos conversar, nunca mais vamos brigar, nunca mais vamos viajar juntas, nunca mais vou rir do mesmo jeito ou ser feliz do mesmo jeito.

Mas cumprir essa lista não será fácil, já que Júlia planejou todo o tipo de desafios fora da zona de conforto de Gabi, tais como pular de paraquedas, aprender a dançar, abraçar desconhecidos, e várias outras coisas um pouco malucas, mas divertidas, inclusive se apaixonar.

Nesse cenário, nós vamos acompanhar a jornada da Gabriela, seja sofrendo, sentindo saudades ou raiva de tudo e de todos. Mas, também a vemos crescer e mudar a cada desafio realizado, a cada passo que ela dá em direção a superação. Gabi também vai contar com a ajuda de personagens cativantes: os pais um tantinho malucos; Fabinho, o melhor amigo gay; Ana, a melhor tia possível; Seu Toninho e a esposa, o melhor casal de vôzinhos que você vai encontrar; além de claro, alguns casos amorosos para confundir a cabeça da Gabriela.

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A Gabi, com suas trapalhadas e indecisões, bem como os personagens secundários, muitas vezes nos rendem gargalhadas durante a leitura. Esse toque de comédia é essencial para deixar o enredo mais leve, mesmo enquanto trata de um assunto tão difícil como o luto.

A escrita da autora é bem jovial e direta, super rápida de ler. Os capítulos são curtos, e não há exagero nas descrições, então não cansa o leitor. Um livro curto, mas super eficaz em entregar sua mensagem. E que mensagem! Além das sinceras reflexões sobre a perda de alguém, o livro também fala sobre amizade, e a importância de se permitir conhecer novas pessoas; sobre relações familiares e a relevância da comunicação entre pais e filhos. E, também sobre amor, sobre não idealizar pessoas perfeitas nem se deixar influenciar por outros, mas sim seguir os instintos do seu coração. Uma história que fala sobre crescer, sobre superar e se permitir coisas novas – e como ser feliz apesar de tudo.

Existe uma simbologia muito grande nisso que vocês chamaram de brincadeira. Quando criaram essa lista, na verdade, era a possibilidade que cada uma estava dando à outra de ser feliz independentemente da que fosse embora. Isso aproxima ainda mais vocês duas.

Existem livros que nos fazem rir, outros que inegavelmente foram escritos para nos fazer chorar, e algumas histórias – normalmente as mais especiais – que são capazes de fazer as duas coisas. Esse livro foi desse jeito para mim, e por mais simples que ele seja – afinal não há nada revolucionário – eu terminei de ler totalmente apaixonada. Ao final da leitura, eu já queria cumprir também todos os itens da lista feita pela Júlia e talvez, quem sabe, me tornar tão corajosa como a Gabi se tornou.

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