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Batman: A Piada Mortal

31 maio 19 4 mins. de leitura
por Ricardo Vergueiro

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Título Batman: A Piada Mortal
Autor(a) Alan Moore
Tradutor(a) Dorival Vitor Lopes e Estúdio Art & Comics
Editora Panini
Páginas 88
Ano 2015
“Um dia ruim. É apenas isso que separa o homem são da loucura. Pelo menos segundo o Coringa, um dos maiores e mais conhecidos vilões dos quadrinhos. E ele quer provar seu ponto de vista enlouquecendo ninguém menos que o maior aliado de seu grande inimigo: o Comissário Gordon. Cabe ao Cavaleiro das Trevas impedi-lo.”

Os fãs de HQs e, em especial, os aficionados pelo universo do Cavaleiro das Trevas aguardam o spin-off do ano! Batman completou 80 anos em 2019, mas foi seu arqui-inimigo quem ganhou o presente das telonas. O trailer de Coringa (Joker) já circula pela net desde abril e tem estreia mundial marcada para 3 de outubro. Então, para comemorar, conheça Batman: A Piada Mortal, uma das histórias mais incríveis do nosso vilão favorito!

O filme, que terá Joaquin Phoenix no papel principal, contará a origem do criminoso mais insano da história da DC Comics, que deu as caras pela primeira vez nos quadrinhos em 1940. Se você é como eu, e gosta de mergulhar na gênese de seus personagens favoritos, então vai curtir esse “esquenta” para o bat-ingresso de outubro. Estou falando de uma das principais referências para Joaquin Phoenix: a graphic novel Batman: The Killing Joke (A Piada Mortal, no Brasil), escrita por Alan Moore e desenhada por Brian Bolland.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Filme Coringa

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O filme Joker estreia dia 3 de outubro.

Para início de conversa, a revista, lançada pela DC em 1988, é tida por muitos como a maior HQ do Batman dos últimos tempos. Olhando bem, não acho que esteja assim tão à frente de The Joker (2008), de Brian Azzarello Lee Bermejo, que também mergulha na psique do palhaço maníaco (inspiração para o lendário Coringa de Heath Ledger!).

É tudo uma piada! Tudo pelo que as pessoas lutam e dão valor não passa de uma monstruosa e insensata anedota. Então por que você não vê o lado engraçado?

A história é toda construída sobre a tese lunática do Coringa de que basta um dia ruim para que qualquer pessoa sã fique louca de pedra. Para provar, ele foge do asilo Arkham, atira em Barbara Gordon e sequestra o pai dela, o aliado de primeira hora do Batman na luta contra o crime, o comissário Gordon.

Com isso, a trama vai se aprofundando na psique de todos os personagens, relevando aspectos menos conhecidos (e mais sombrios) da personalidade do comissário, e do próprio Batman. O Coringa quer enlouquecer Gordon para mostrar o quanto é frágil e quebradiço o “muro” que separa o sanidade da loucura. Aqui, um parênteses: alguém duvida que haja um fundo de verdade nisso quando assiste aos noticiários do dia?

O mais repulsivo de tudo são suas frágeis e inúteis noções de ordem e sanidade, se for submetido a muita pressão…

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Enquanto seguimos a trama, acompanhamos o Coringa em seus flashbacks, em que aos poucos vai desenterrando sua trágica história pessoal, de comediante fracassado à arqui-inimigo de Ghotam City (eis então a grande fonte para o spin-off das telonas).

Os diálogos são afiados e sombrios, marca que Alan Moore também deixa em outras séries de sucesso, como V de Vingança e Watchmen. Mas, para além do texto poderoso, é preciso destacar também a qualidade excepcional da arte de Brian Bolland, autor de Camelot 3000, que começou sua trajetória na DC como capista do Lanterna Verde.

Talvez você me mate. Talvez eu te mate. Talvez mais cedo. Talvez mais tarde.

Ler Batman: A Piada Mortal foi uma experiência e tanto. A história mexe com a gente, e os traços minuciosos de Bolland reforçam a tensão e o clima psicótico do enredo. Algumas sequências, passados 31 anos do lançamento da revista, ainda podem chocar, mesmo sem o recurso das chamadas splash-pages (aquela cena de página inteira com um clímax, que é comum nas graphic novels). A ebulição vai crescendo ao longo do plot e termina por derreter, com um desfecho alucinante, qualquer expectativa mais óbvia de final.

Contudo, preciso reconhecer também que essa profusão de imagens impactantes me incomodou um pouco. Claro que vai depender do “estômago” de cada leitor(a), mas para mim algumas cenas lembram a morbidez sádica de Jogos Mortais (como quando o comissário Gordon é forçado a ver cenas da filha seminua, sangrando no chão). Apesar disso, trata-se com certeza de uma obra-prima e, no fim das contas, a violência ganha um contexto e uma mensagem que a salvam da banalização.

As memórias podem ser vis, repulsivas, brutais… como crianças. Ah, ah, ah!

A edição que tive acesso foi a da Abril, de 1999, baseada no original da década de 80. Embora ela tenha um projeto gráfico excelente, nem de longe se compara com a edição especial de luxo da Panini, muito elogiada pela crítica e pelo público. A versão da Panini foi lançada em ocasião do 10º aniversário da HQ, com capa dura e tratamento todo especial, trazendo ainda um prefácio escrito pelo cartunista americano Tim Sale, e o posfácio de Brian Bolland, além de trechos com rascunhos da primeira edição.

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