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Flores para Algernon

25 jan 20 4 mins. de leitura
por Mandy Ariani

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Título Flores para Algernon
Autor(a) Daniel Keyes
Tradutor(a) Luisa Geisler
Editora Editora Aleph
Páginas 288
Ano 2018
Aos 32 anos, Charlie trabalha na padaria Donners, ganha 11 dólares por semana e tem 68 de QI. Porém, uma cirurgia revolucionária promete aumentar a sua inteligência, considerada gravemente baixa. O problema? Enxergar o mundo com outros olhos e mente pode trazer sacrifícios para a sua própria realidade. E resta saber se Charlie Gordon está disposto a fazê-los.

Após saber que Flores para Algernon vendeu mais de 5 milhões de cópias e fascinou diversos leitores ao redor do mundo, eu pensei estar preparada para me deliciar com uma leitura interessante e reflexiva. Mas, apesar da obra de Daniel Keyes definitivamente merecer tais adjetivos, eu me surpreendi quando me deparei com um livro capaz de ultrapassar quaisquer expectativas, trazendo questionamentos importantes e, até mesmo, mudando a nossa forma de enxergar o mundo.

O conhecimento é uma benção ou uma maldição? Publicado originalmente em 1966 e classificado como um livro de ficção científica, a obra de Keyes não se restringe ao seu gênero, e traz reflexões sobre o universo, as relações pessoais e o próprio ser. A trama gira em torno de Charlie Gordon, um homem muito gentil de 32 anos, que possui uma vontade extraordinário de se tornar mais inteligente. Porém, como Charlie tem um Q.I. de 68 – considerado muito baixo -, o seu processo de aprendizado é muito lento e marcado pelo esquecimento de tudo o que ele chegou a aprender algum dia.

Só quero ser esperto como as outras peçoas para poder ter amigus que gostam de mim.

Portanto, Charlie vive uma vida sem muita ambição. Na verdade, seu único desejo é superar sua deficiência intelectual e ser mais inteligente para finalmente poder conversar com as pessoas e, quem sabe, fazer mais amigos. Então, ele fica muito feliz quando passa a ser considerado para ser cobaia em uma cirurgia revolucionária que promete aumentar seu nível de inteligência. Contudo, a cirurgia ainda é uma incógnita, afinal apenas um ratinho chamado Algernon teve bons resultados e Charlie seria o primeiro humano a passar pelo procedimento.

A partir dessa premissa intrigante, Flores para Algernon nos presenteia com um personagem encantador e bondoso, que  tenta desenvolver novas habilidades e entender o mundo a sua volta, mas não passa despercebido pela ignorância e pelo preconceito das pessoas. O livro se desenvolve a partir de relatórios escritos pelo próprio Charlie, e devo dizer que essa foi uma sacada genial do autor, pois ele tornou a mudança do personagem tangível para o leitor. Sendo assim, no início do livro veremos uma narração recheada de erros de grafia e coesão, demonstrando as limitações do personagem.

Após a cirurgia, o nosso protagonista não enxergará mais o mundo com os mesmos olhos, e será surpreendente para ele descobrir uma nova realidade, que é muito mais amarga e problemática. Sem dúvidas, é incrível ver o desenvolvimento e a perca da inocência de Charlie, e acompanhar algumas de suas primeiras experiências juntamente com suas novas percepções sobre o mundo e as pessoas ao seu redor.

– Quanto mais inteligente você se tornar, mais problemas você terá, Charlie. Seu crescimento intelectual vai ultrapassar seu crescimento emocional.

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Flores para Algernon é um livro melancólico e cheio de nuances, que nos faz pensar sobre a falta de humanidade no campo científico, a importância do amadurecimento, a alienação, o preconceito e diversos outros assuntos. Tudo isso é abordado em um cenário muito interessante e com personagens profundos, que acompanham o Charlie numa jornada cheia de complexidades.

Daniel Keyes levou anos reunindo inspirações para escrever esse livro, e isso é evidente durante a narrativa. Além de trazer um conceito fictício intrigante, o autor mostra – a partir de diversas passagens – que houve muita pesquisa para concretizar essa história, que vai desde artigos acadêmicos até Aristóteles. E, surpreendentemente, tudo isso não oculta as emoções que o livro traz, muito pelo contrário. No fim, Keyes nos convence do enredo que criou, e nós sentimos que tudo isso é possível.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

CHARLY, Cliff Robertson, 1968

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Cliff Robertson ganhou o Oscar de melhor ator por sua interpretação no filme “Os Dois Mundos de Charly”, de 1968.

Você vai continuar subindo e subindo, e vai ver mais e mais. E cada passo vai revelar mundos que você nem sabia que existiam.

Apesar das discussões profundas, Flores para Algernon não é nem um pouco maçante, sendo capaz de nos deixar horas compenetrados em sua história. Sinceramente, é impossível parar de ler essa narrativa antes de desvendar a impactante jornada de Charlie Gordon, um protagonista que certamente ficará por muito tempo na mente dos leitores. Então, se você quer ter questionamentos relevantes e vivenciar um enredo incrível, esse livro é o certo. Da primeira até a última página, Flores para Algernon é simplesmente extraordinário.

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