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O Homem de Giz

19 jun 20 3 mins. de leitura
por Mandy Ariani

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Título O Homem de Giz
Autor(a) C. J. Tudor
Tradutor(a) Alexandre Raposo
Editora Intrínseca
Páginas 272
Ano 2018
Assassinato e sinais misteriosos em uma trama para fãs de Stranger Things e Stephen King. Em 1986, Eddie e os amigos passam a maior parte dos dias andando de bicicleta pela pacata vizinhança em busca de aventuras. Os desenhos a giz são seu código secreto: homenzinhos rabiscados no asfalto; mensagens que só eles entendem. Mas um desenho misterioso leva o grupo de crianças até um corpo desmembrado e espalhado em um bosque. Depois disso, nada mais é como antes. Em 2016, Eddie se esforça para superar o passado, até que um dia ele e os amigos de infância recebem um mesmo aviso: o desenho de um homem de giz enforcado. Quando um dos amigos aparece morto, Eddie tem certeza de que precisa descobrir o que de fato aconteceu trinta anos atrás. Alternando habilidosamente entre presente e passado, O Homem de Giz traz o melhor do suspense: personagens maravilhosamente construídos, mistérios de prender o fôlego e reviravoltas que vão impressionar até os leitores mais escaldados.

O Homem de Giz, romance de estreia da autora britânica C. J. Tudor, presenteia os leitores com uma narrativa intrigante, envolvente e extremamente bem desenvolvida. Ao alternar entre presente e passado, o livro desenvolve não apenas um ambiente recheado de segredos, mas também a vida dos personagens e seus embates (tanto externos quanto internos). Tudo isso gera uma história cheia de camadas – e você vai desejar removê-las até solucionar todos os mistérios.

Quando iniciar essa leitura, talvez você se lembre de outras histórias como It- A Coisa ou Stranger Things. Assim como acontece nesses enredos, O Homem de Giz também explora um grupo de crianças que habitam uma pequena cidade e vão precisar lidar com algo assustador. Nesse caso, estamos falando da cidade de Anderbury e de um assassinato.

No ano 1986, Eddie, Nicky, Gav, Mickey e Hoppo são amigos inseparáveis. Embora muito diferentes, eles passam seus dias andando de bicicleta e buscando novas formas de se entreter. Porém, quando eventos sinistros começam a acontecer, um estranho se muda para a cidade e um mistério leva o grupo a encontrar um corpo desmembrado no bosque, nada nunca mais será como antes.

Acho que foi a primeira vez que compreendi como as coisas podem mudar de uma hora para outra. Como tudo o que temos por certo pode ser arrancado de nós.

Trista anos após todos esses eventos, em 2016, Eddie está vivendo sua vida normalmente. Entre o exagero com bebidas, sua rotina como professor e a convivência com Chloe (sua jovem inquilina), ele não esperava que mais uma vez fosse ser obrigado a revisitar memórias antigas e abrir algumas feridas. Porém, quando um de seus antigos amigos lhe faz uma proposta tentadora e logo depois aparece morto com um bilhete de homens de giz desenhados, Eddie decide descobrir quem cometeu o crime e como isso está ligado ao que aconteceu no passado.

Apesar de O Homem de Giz nos lembrar de outras histórias, a forma como C. J. Tudor desenvolve cada pequeno detalhe sobre seus personagens e conflitos é sensacional. Com o passar das páginas, nós conhecemos aspectos de suas vidas como desavenças, perdas, conflitos internos, família e arrependimentos. Tudo isso nos faz pensar que passamos a conhecê-los de verdade, mas a desconfiança é inevitável e está sempre presente. Afinal, será que eles são realmente confiáveis?

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Todo mundo tem o bem e o mal dentro de si. Só porque alguém faz algo terrível isso deve ofuscar todas as coisas boas que fez anteriormente? Ou há coisas tão ruins que nem um ato de bondade pode redimir?

Se você gosta de thrillers bem desenvolvidos onde os personagens se sobressaem por suas complexidades humanas, O Homem de Giz certamente será uma ótima leitura. Além de ser uma narrativa impossível de largar, o livro debate sobre experiências que nos marcam e nos moldam como os indivíduos que somos hoje. A importância das nossas escolhas e a casualidade também aparecem na obra e nos fazem refletir sobre como cada pequena decisão pode gerar consequências inimagináveis.

Não posso deixar de alertar também os leitores mais sensíveis: apesar desse livro acompanhar a rotina de crianças em grande parte do tempo, não é uma leitura necessariamente leve – longe disso. A narrativa possui uma cena de abuso capaz de embrulhar nosso estômago e aborda fortemente a temática da morte. Então, fica o meu aviso!

A morte não aceita argumentos. Nenhum apelo final. Nenhum recurso. Morte é morte, e ela detém todas as cartas.

Apesar de O Homem de Giz explorar explorar assuntos complexos e trazer temáticas difíceis, a escrita da C. J. Tudor envolve completamente o leitor. No fim, nós sentimos que a resolução dos mistérios não é o mais importante na trama, mas sim as questões existenciais e a demonstração profunda da natureza humana.

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