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Resenhas

O Monge e o Executivo por James C. Hunter

12 abr 19 4 mins. de leitura
por Caique Araujo

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Título O Monge e o Executivo
Autor(a) James C. Hunter
Editora Sextante
Páginas 144
Ano 2004
Você está convidado a juntar-se a um grupo que durante uma semana vai estudar com um dos maiores especialistas em liderança dos Estados Unidos. Leonard Hoffman, um famoso empresário que abandonou sua brilhante carreira para se tornar monge em um mosteiro beneditino, é o personagem central desta envolvente história criada por James C. Hunter para ensinar de forma clara e agradável os princípios fundamentais dos verdadeiros líderes. Se você tem dificuldade em fazer com que sua equipe dê o melhor de si no trabalho e gostaria de se relacionar melhor com sua família e seus amigos, vai encontrar neste livro personagens, idéias e discussões que vão abrir um novo horizonte em sua forma de lidar com os outros. É impossível ler este livro sem sair transformado. O monge e o executivo é, sobretudo, uma lição sobre como se tornar uma pessoa melhor.

O Monge e o Executivo: Uma História sobre a Essência da Liderança é um livro que aborda os fundamentos e pilares da liderança tal como a construção dela. Apesar de ter sido lançado há mais de 20 anos, como algumas outras histórias, O Monge e o Executivo consegue ser atemporal. Sendo um dos livros mais vendidos no Brasil e ao redor do mundo, James C. Hunter visa ensinar conceitos de uma forma diferente: incluindo-os através de diálogos entre os personagens.

Na narrativa acompanhamos a história de John Daily, um pai de família e executivo de uma grande empresa, extremamente frustrado com a realidade e os desafios que vem enfrentando tanto na empresa quanto dentro de casa. Decidindo adotar a sugestão de sua esposa, John decide dar “uma pausa” e, para tanto, acaba indo a um mosteiro cristão a fim de refletir sobre sua vida e todos ao seu redor. A escolha de John é um pouco mais egoísta que isso, o interesse pelo mosteiro não se dá por acaso. Ele descobre que por lá está Leonard Hoffman, um famoso empresário bem sucedido que desapareceu dos holofotes há alguns anos.

Quando John chega ao mosteiro, entendemos o verdadeiro proposito do livro. Criando uma espécie de “mesa redonda” entre personagens, o autor, pouco a pouco, esmiúça cada pequeno átomo que compõe a liderança. Sendo esse o ponto mais alto do livro que, por si só, já vale completamente a leitura. Os conceitos não tornam-se nada chatos quanto transpostos em diálogos e despertam a vontade do leitor em continuar acompanhando as resoluções de cada questionamento levantado por alguns dos personagens.

O ponto de vista com o qual James C. Hunter lida com a liderança retrata um conceito moderno e atemporal, onde o cerne está no relacionamento humano e a forma como as pessoas se conectam umas com as outras. Ele faz questão de expor diversas expressões de realidade diferentes, criando personagens com vidas e comportamentos diferentes entre si. Uma escolha que resulta em uma linguagem fácil, uma leitura fluída e várias reflexões que vão provocar o leitor a se questionar e participar da conversa.

Liderança: É a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir os objetivos identificados como sendo para o bem comum.

Acima está um dos vários conceitos apresentados no livro. Um detalhe importante que deve ser destacado a respeito, é a forma como esses conceitos aparecem. Antes de apresentar qualquer definição exata para um termo, comportamento ou expressão, existe muita discussão e ângulos divergentes sendo apresentados. Nesse processo, por exemplo, é comum nos depararmos com citações e referências a figuras importantes da história, como: Jesus Cristo, Gandhi, Martin Luther King, Madre Tereza de Calcutá, Freud, entre outras.

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[…] a liderança é construída sobre autoridade ou influência, que por sua vez são construídas sobre serviço e sacrifício, que são construídos sobre o amor.

Talvez o aspecto “mais negativo” do livro que contribuiu bastante para a nota dessa resenha encontra-se na má construção da narrativa. Os conceitos são maravilhosos e perfeitamente moldados em diálogos, mas quando o autor decide construir uma história ele deve, como em uma história, desenvolver personagens, criar situações, iniciar e encerrar arcos, etc. Mas, durante o livro, isso é pouco desenvolvido e praticamente inexistente.

Para exemplificar, logo no primeiro capítulo o autor do livro lança “um mistério” – verdadeiramente curioso e intrigante para o leitor. São uma série de coincidências estranhas que acontecem com John, o que o motiva, inclusive, a querer entender mais a respeito. Mas, até a última página do livro nada disso é retomado. As questões desenvolvidas para o ambiente da história são esquecidas ou simplesmente ignoradas. Outro ponto inconveniente é a presença de vários personagens mais a ausência completa de “background”, ações e situações fora dos diálogos tradicionais. Não é tão fácil construir qualquer laço com os personagens. Em uma leitura corrida nem é possível distinguir um personagem ou outro de acordo com sua fala, pois existem substâncias bem rasas construídas para cada um deles.

A real capacidade de liderança não fala da personalidade do líder, de suas posses ou carisma, mas fala muito de quem ele é como pessoa. Eu achava que liderança era estilo, mas agora sei que liderança é essência, isto é, caráter.

No fim O Monge e o Executivo é um excelente livro didático formatado em diálogos, capaz de promover reações e ações no leitor. Este é sim um dos melhores livros que já li a respeito e, certamente, tem o seu devido valor e merece ser lido por qualquer um que tenha interesse por discussões transformadoras. É claro que, para leitores que tenham um apego maior por história, plano de fundo e desenvolvimento de personagens, o livro não é capaz de entregar tudo. Mas ainda sim, garante a sensação que somente os bons livros são capazes de garantir: “eu não consigo parar de ler!”.

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