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Resenhas

O Sal das Lágrimas

05 jun 19 4 mins. de leitura
por Mandy Ariani
Esta publicação é fruto de uma PARCERIA

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Título O Sal das Lágrimas
Autor(a) Ruta Sepetys
Tradutor(a) Vera Ribeiro
Editora Arqueiro
Páginas 320
Ano 2019
Inverno de 1945, Segunda Guerra Mundial. Quatro refugiados, quatro histórias. Joana, Emilia, Florian, Alfred. Cada um de um país diferente. Cada um caçado e assombrado pela tragédia, pelas mentiras e pela guerra. Enquanto milhares fogem do avanço do exército soviético na costa da Prússia, os caminhos desses quatro jovens se cruzam pouco antes de embarcarem em um navio que promete segurança e liberdade. Mas nem sempre as promessas podem ser cumpridas... Profundamente comovente, O Sal das Lágrimas se baseia em um acontecimento real. O navio alemão Wilhelm Gustloff foi afundado pelos russos no início de 1945, tirando a vida de mais de 9 mil refugiados civis, entre eles milhares de crianças. É o pior desastre marítimo da história, com seis vezes mais mortos que o Titanic. Ruta Sepetys, a premiada autora de A Vida em Tons de Cinza, reconta brilhantemente essa passagem por meio de personagens complexos e inesquecíveis.

Na resenha de hoje, nós vamos falar sobre uma ficção histórica, extremamente, comovente. O Sal das Lágrimas nos presenteia com uma narrativa baseada em um acontecimento real, quando o navio alemão Wilhelm Gustloff foi afundado pelos russos em 1945. Poucas pessoas falam desse episódio, apesar de mais de 9 mil refugiados terem morrido naquele dia, se configurando assim como o pior desastre marítimo da história.

Através de um resgate histórico impecável, Ruta Sepetys nos convida a presenciar a realidade dos civis e refugiados em meia a guerra. Nesse cenário, conhecemos Joana, Emilia, Florian e Alfred. Todos os personagens são bem distintos uns dos outros, e como todos são narradores de O Sal das Lágrimas, nós podemos conhecer o ponto de vista de cada um.

Joana é uma enfermeira que nasceu na Lituânia. Junto com um grupo de refugiados, a personagem busca por sobrevivência enquanto ajuda o máximo de pessoas que passam por seu caminho. Emilia é uma menina polonesa que, com a guerra, perdeu várias partes de si mesma e ela – certamente – vai surpreender muitos leitores. Florian é um jovem prussiano que, aparentemente, não confia em ninguém e é muito misterioso. E, por fim, o Alfred é um alemão que está servindo. Ele costuma ter vários devaneios e acredita demasiadamente em Adolf Hitler.

Nós começamos a acompanhar a trajetória dos protagonistas bem antes deles embarcarem no Wilhelm Gustloff. Com Joana, Emilia e Florian, o leitor verá a triste e desesperadora realidade do caótico cenário deixado pela guerra – que é marcado por fome, abuso, abandono e muitas mortes. Em contra partida, nós também observamos parte da vivência dos soldados e marinheiros que ocorre pela figura de Alfred, um personagem com delírios de grandeza que passou a acreditar fielmente na ideologia de “raça superior”.

Pensei nos inúmeros refugiados que percorriam a dura e longa trilha para a liberdade. Quantos milhões de pessoas teriam perdido a casa e a família durante a guerra?

Até que todos os personagens se encontrem, nós já ganhamos uma simpatia imensa por eles – três deles, ao menos. Então, é impossível não ficar com o coração na mão sabendo que seu próximo destino é o navio Wilhelm Gustloff. Aliás, é válido lembrar que a embarcação  tinha capacidade para apenas 1.800 pessoas, porém chegou a levar mais de 10.000 passageiros. Infelizmente, poucos sobreviveram perante essa tragédia, e você precisará ler para saber o que houve com nossos protagonistas.

Aliás, apesar de o enredo já contar com 4 narradores bem interessantes por si só, a nossa querida autora criou personagens secundários muito cativantes que tornaram todo o contexto ainda mais fascinante. Um destaque especial para Eva, uma mulher “gigante” e super sincera; o Poeta dos Calçados, um homem bondoso apaixonado por seu ofício; e Ingrid, uma jovem cega que, de vez em quando, via muito mais do que os outros.

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Resenha O Sal das Lágrimas

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Ruta Sepetys possui uma escrita muito sensível – capaz de causar emoções variados no leitor. E, se você gosta de capítulos curtos, saiba que O Sal das Lágrimas não vai te decepcionar. Além disso, a escritora descreve os momentos, os cenários e os sentimentos dos personagens de uma forma incrível. Com um equilíbrio perfeito, a trama consegue tornar tangível toda a desgraça que está acontecendo. Porém, apesar da realidade cruel, a autora nos mostra os lampejos do bem através de um lado mais humano dos personagens. Simplesmente, é impossível não se deixar envolver pelas páginas desse livro.

os refugiados gritavam e choravam, implorando por uma autorização de embarque. Tentei consolá-los com a sabedoria de Dom Quixote e gritei: “Até a morte, tudo é vida!”, mas isto não pareceu lhes dar paz.

O Sal das Lágrimas é não só uma ficção histórica emocionante, mas também o resultado de um extenso trabalho de pesquisa e investigação. Inclusive, nas últimas páginas do livro, Ruta Sepetys nos conta sobre esse feito e cita suas fontes de pesquisa. Então, se você quer entender melhor alguns fatos históricos e ainda experimentar uma narrativa envolvente, esse livro é uma ótima opção. Mas um aviso: se prepare.

Posso afirmar que O Sal das Lágrimas é um livro excelente, contudo ele poderia ter sido mais desenvolvido. Na minha concepção, por exemplo, o fim foi muito corrido. Eu gostaria que a autora tivesse esclarecido mais o final de alguns personagens. Mesmo assim, a leitura foi excelente e eu recomendo sem medo!

Que tolice a minha achar que éramos mais poderosos do que o mar ou o céu.

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J. K. RowlingHarry Potter, 1997-2007.

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