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Um Cavalheiro a Bordo

06 set 19 4 mins. de leitura
por Juliana Sandis
ATENÇÃO: Esse artigo poderá conter alguns spoilers

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Título Um Cavalheiro a Bordo
Autor(a) Julia Quinn
Tradutor(a) Thais Paiva
Editora Arqueiro
Páginas 288
Ano 2019
Ela estava no lugar errado... Durante um passeio pela costa, a independente e aventureira Poppy Bridgerton fica agradavelmente surpresa ao descobrir um esconderijo de contrabandistas dentro de uma caverna. Mas seu deleite se transforma em desespero quando dois piratas a sequestram e a levam a bordo de seu navio, deixando-a amarrada e amordaçada na cama do capitão. Ele a encontrou na hora errada... Conhecido entre a alta sociedade como um cafajeste e um corsário inconsequente, o capitão Andrew James Rokesby na verdade transporta bens e documentos para o governo britânico. No meio de uma viagem, ele fica assombrado ao encontrar uma mulher na sua cabine. Sem dúvida sua imaginação está lhe pregando peças. Mas, não, ela é bastante real – e sua missão para com a Coroa o deixa preso a ela. Será que dois erros podem acabar no acerto mais maravilhoso de todos? Quando descobre que Poppy é uma Bridgerton, Andrew entende que provavelmente terá que se casar com ela para evitar um escândalo. Em alto-mar, as disputas verbais entre os dois logo dão lugar a uma inebriante atração. Mas depois que o segredo de Andrew for revelado, será que ele conseguirá conquistar o coração dela?

Um Cavalheiro a Bordo é o terceiro livro da série Os Rokesbys, que já conta com os livros Uma Dama Fora dos Padrões e Um Marido de Faz de Conta. É possível ler este terceiro volume fora da ordem, com não mais do que alguns spoilers dos casais anteriores, mas não recomendo inverter a ordem entre os livros 1 e 2 pois perderia uma linha importante da trama do livro 1.

Entre todas as ciladas que uma dama pode se meter, ser sequestrada por piratas deve estar no topo da lista de escândalos. E Poppy Bridgerton não poderia ter imaginado algo assim acontecendo com ela nem em seus sonhos mais absurdos.

Poppy estava aliviada por ganhar um descanso da temporada londrina e passar um tempo na casa de sua amiga. Seu espírito naturalmente aventureiro amava estar próximo do mar e poder caminhar pela praia todos os dias. Em um dos seus passeios, depois de finalmente conseguir enrolar a criada e ir sozinha, Poppy se depara com uma caverna misteriosa e seu interior repleto de caixas.

Antes que tivesse tempo de investigar o conteúdo da caverna, Poppy é surpreendida por dois piratas. Sem saber o que fazer com a moça que descobrira o sagrado esconderijo deles, os marujos sequestram Poppy e a levam para o navio de modo que o capitão possa decidir o que fazer com ela. 

Andrew James Rokesby não é um pirata, pelo menos não realmente. Ele é um oficial britânico cuja missão é entregar bens e documentos do governo, mas sob o disfarce que um navio mercante é capaz de oferecer. E ele não poderia ficar mais surpreso ao encontrar uma mulher presa em sua cabine, e que ainda por cima alega ser uma Bridgerton!

Nada mais tendia tanto a catástrofe quanto uma situação como aquela, mas Andrew estava encurralado: se deixasse ela ir embora, arriscaria a segurança do local onde estão guardados itens importantes para o governo, e, caso tivesse que parar para encontrar um novo esconderijo e mudar tudo de lugar, se atrasaria e muito para a próxima entrega de documentos em Portugal. Portanto, até que o navio retornasse a Inglaterra, Poppy Bridgerton e ele estavam presos um ao outro. Mas, Andrew daria um jeito naquela situação, nem que depois ele tivesse que casar com a moça para evitar um escândalo.

Será que duas semanas no mar são capazes de unir até o mais improvável dos casais? É isso o que Um Cavalheiro a Bordo irá nos mostrar. Começando pela Srta Bridgerton da vez: Poppy, prima da Billie – a protagonista do primeiro livro dessa série. Poppy tem uma personalidade vibrante, ela é naturalmente animada, fofa, criativa e curiosa, além de muito forte para encarar todas as situações inusitadas por que passa nesse livro.

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No caso, ela é uma Bridgerton nata. Porém, a situação realmente não é fácil: um navio cheio de homens é um local perigoso, logo, Poppy fica restrita à cabine do capitão durante todo o tempo da viagem. Mesmo abalada, ela não se deixa entrar em desespero e lida com isso da melhor forma, tentando se manter distraída com leituras ou jogos, conversando com Billy, o adolescente responsável por lhe trazer comida todos os dias, além de claro, gastar um tempo irritando e provocando Andrew.

O Capitão Andrew, por outro lado, é como um quebra cabeça, um homem cheio de mistérios. Nem sua família, nem seus companheiros de navio sabem que ele é um agente da coroa e que vive no perigo dessa função. Apesar disso, durante a leitura ele se mostra gentil, animado e de coração mole. Sua interações com a Poppy são um misto de troca de farpas com doçura. Ele tenta resistir à atração que sente pela protagonista, já que nunca se imaginou em um relacionamento, mas aos poucos vai baixando a guarda. 

Ele a tomou nos braços e a beijou, com força e com fome. Como quem morre de fome.

A maior parte da história se passa justamente dentro do navio, e depois uma parte se passa em Portugal. Eu adorei a descrição dos ambientes, Julia Quinn faz com que a gente se sinta ali, vivendo uma aventura em um navio pirata ou passeando por uma Lisboa do século XIV e provando comida portuguesa. Contudo, ao meu ver, o drama que se inicia nesse trecho em Portugal ficou bastante confuso, faltaram explicações sobre o que estava acontecendo e porque estava acontecendo. 

A química entre o casal é muito boa, Poppy e Andrew são mais parecidos do que imaginam, e se provocam na mesma medida em que se apaixonam. Achei uma pena que o romance entre eles só se concretize quase no final do livro, me pareceu que a história merecia mais capítulos deles juntos de verdade. O final se tornou super apressado, o que é uma pena.

Será que isso era amor? Será? Só o que ele sabia era que não conseguia imaginar um futuro sem ela

É um romance fofo, no estilo Julia Quinn de ser, mas infelizmente não é tão tocante como Um Marido de Faz de Conta, nem tão divertido quanto Uma Dama Fora dos Padrões. Além disso, essa primeira edição lançada pela Editora Arqueiro apresentou diversos erros de tradução, desde erros de digitação até frases totalmente confusas e mal traduzidas. Acho importante ressaltar esse tipo de coisa para que a editora possa fazer outra revisão antes de liberar novas edições deste livro. 

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Cornelia FunkeCoração de Tinta, 2003.

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