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Uma Paixão e Nada Mais

20 nov 19 4 mins. de leitura
por Juliana Sandis

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Título Uma Paixão e Nada Mais
Autor(a) Mary Balogh
Tradutor(a) Lívia de Almeida
Editora Arqueiro
Páginas 288
Ano 2019
Ao voltar para casa depois das Guerras Napoleônicas, Flavian, o visconde de Ponsonby, ficou arrasado ao ser abandonado pela noiva. Agora a mulher que partiu seu coração está de volta, e todos estão ansiosos para que eles reatem o noivado. Exceto Flavian, que, em pânico, corre para os braços de uma jovem sensível e encantadora. Apesar de ter sido casada por quase cinco anos, a viúva Agnes Keeping nunca se apaixonou, nem quer se apaixonar. Aos 26 anos, ela prefere manter o controle de suas emoções e de sua vida. Porém, ao conhecer o carismático Flavian, fica tão arrebatada que acaba aceitando seu impetuoso pedido de casamento. Quando descobre que Flavian pediu sua mão apenas para se vingar da antiga paixão, Agnes decide fugir. Mas Flavian não tem a menor intenção de deixar a esposa partir, principalmente após descobrir que, para sua própria surpresa, está completamente apaixonado por ela.

Uma Paixão e Nada Mais é o quarto livro da série Clube dos Sobreviventes, que retrata a vida de um grupo de sete amigos sobreviventes à guerra contra Napoleão. Cada livro da série tem um dos amigos como protagonista, retratando suas dores e traumas, mas principalmente contando sobre seus recomeços, suas superações e, claro, suas histórias de amor.

O protagonista de Uma Paixão e Nada Mais é Flavian, o visconde de Ponsonby. Todos os sobreviventes do clube lidam com sequelas muito difíceis da guerra, mas o caso de Flavian é especialmente desolador. O visconde levou um tiro na cabeça. O tiro não foi capaz de matá-lo, mas causou muito estrago.

Durante vários meses Flavian não tinha controle sobre si mesmo, não conseguia falar e tinha acessos de fúria que fizeram com que sua família desacreditasse completamente de sua recuperação. É quando George, o Duque de Stanbrook, intervém e o leva para ser reabilitado em seu castelo, junto aos demais feridos na guerra.

Apesar de muito mais recuperado do que as pessoas imaginavam ser possível, anos depois Flavian ainda carrega um pouco da gagueira ao falar e de lapsos de memória causados pelo tiro. Mas o que ele não é capaz de esquecer é o fato de ter sido abandonado pela noiva, Velma, que partiu seu coração e se casou com seu melhor amigo, há sete anos atrás.

E agora, Velma se encontra viúva, e suas famílias estão ansiosas para que eles reatem o noivado, fazendo planos de encontros e festividades em comum para aproximar os dois durante a temporada londrina que se aproxima. Mas Flavian não tem o menor interesse em ser jogado nos braços de uma mulher que já partiu seu coração uma vez.
Em estado de pânico, ele então decide que, se já estiver casado, não pode ser tentado a voltar para Velma, certo? E por que não se casar com um moça que está tão próxima, e pela qual ele sente atração? Agnes parece ser a opção perfeita para a situação.

Agnes Keeping é viúva, e vive com modéstia no vilarejo próximo à Middlebury Park, na residência de Vicent – o Visconde de Darleigh – e que nesse ano sedia o encontro do Clube dos Sobreviventes. Agnes é uma das melhores amigas da viscondessa de Darleigh e, portanto, tem acesso rotineiro a Middlebury Park, onde acaba por conhecer todo o Clube, e tem sua curiosidade despertada por Flavian.

Como é fácil descartar as aparências sem ter um pingo de noção de toda a beleza interior que está despercebida.

A atração entre os dois é inegável, e mesmo se conhecendo por pouco tempo, Agnes decide ser impulsiva pela primeira vez e aceita o pedido de casamento de Flavian. Afinal, qual seria o problema de finalmente se deixar vivenciar uma paixão? Mas nem tudo nesse casamento aventureiro serão flores, e Agnes logo se sente traída ao descobrir que o marido se casou com ela apenas para se vingar da ex-noiva. Agora, se desejar recuperar o amor e a confiança da esposa, Flavian terá de se desvencilhar dos fantasmas do passado e lutar por seu casamento.

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As pessoas se casam por todo tipo de motivos. Não são eles que importam. É o que fazem com seus casamentos que importa. Vamos fazer com que seja um bom casamento. Nós dois juntos.

O livro do Flavian era um dos que eu mais estava ansiosa para ler, uma vez que em diversos momentos dos livros anteriores é comentado sobre o caso dele com a noiva, deixando a curiosidade no ar. Mas, confesso que quando li a sinopse pensei que o enredo traria outra vez o clichê do casamento por conveniência – que já ocorreu no segundo livro da série – e fiquei um tanto desapontada.

Flavian e Agnes são muito diferentes um do outro. O protagonista é inquieto, impulsivo e sarcástico. Algumas vezes é difícil gostar dele, mas em outros momentos somos tocados por toda a confusão que ele carrega dentro de si. Nesse sentido, é impossível não desejar que ele fique bem.

Ele a queria. Era quase como se precisasse dela, pensou, alarmando-se com aquela constatação. E se aquilo não era um pensamento capaz de fazer um homem correr uma centena de quilômetros sem parar para respirar, então ele não sabia o que mais provocaria tal reação.

Agnes, por sua vez, tende a introversão, é sempre delicada, e até aquele momento tinha se privado de viver uma paixão por medo do que essa emoção poderia causar, mas então Flavian entra em sua vida como um furacão. Ela demora um pouco para deixar de ser muito boazinha, principalmente com relação ao conflito com Velma, mas quando ela finalmente toma as rédeas da situação é bem legal de acompanhar.

No geral, é um livro que te envolve em muitas emoções. Você poderá suspirar de amor, ansiar por respostas à todos os problemas e pequenos mistérios, ter muita raiva dos antagonistas e ainda refletir sobre coisas do dia a dia.
Mary Balogh, como sempre, tem um escrita delicada e poética, e este novo livro trouxe uma história mais fluída e rápida se comparada ao terceiro volume.

A autora tem o dom de transformar uma trama aparentemente simples em algo diferente, com nuances e profundidade, o que resultou em uma grata surpresa. Recomendo bastante para os que já são fãs da série e para quem deseja conhecer. Não espere uma série de livros perfeita, é claro que O Clube dos Sobreviventes tem seus altos e baixos, mas vale a pena ser lida por toda a carga de emoções, de amor, de amizade e de superação que entrega ao leitores.

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