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Cemitério Maldito: O final do filme explicado
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Cemitério Maldito: O final do filme explicado

10 maio 19 6 mins. de leitura
por Caique Araujo
ATENÇÃO: Esse artigo poderá conter alguns spoilers

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Cemitério Maldito estreou recentemente nos cinemas, e já está sendo capaz de provocar algumas emoções interessantes. O longa segue a nova onda de filmes de terror e aproveita o auge de It, trazendo novamente uma obra adaptada de Stephen King para o grande público. Algumas diferenças fundamentais foram desenvolvidas ao longo das duas horas da película. Neste artigo, você vai entender quais são elas e o que aconteceu no final, “controverso”, do filme.

Uma adaptação do livro

Baseado no livro O Cemitério – que já listamos entre os melhores livros de King, Cemitério Maldito nos apresenta a história do doutor Louis Creed, interpretado por Jason Clarke. Após mudar de cidade com sua esposa Rachel, interpretada por Amy Seimetz, e seus dois filhos pequenos para uma pequena cidade do Maine, Louis descobre um misterioso cemitério escondido dentro da sua nova propriedade e bem próximo à nova casa da família. Após um infeliz incidente, Jud, interpretado por John Lithgow, o vizinho, decide ajudar Louis a “resolver tal situação”. A partir de então, a trama dá início a uma série de acontecimentos perigosos, liberando um mal inimaginável com consequências devastadoras.

Em contraponto ao livro, o longa, produzido pela Paramount, carrega consigo uma liberdade criativa notável em relação a obra original idealizada por Stephen King. Em algumas cenas decisivas, o filme apresenta mudanças consideráveis que acabam influenciando em um final diferente e, ao mesmo tempo, “impactante” para a trama. Embora, não sabemos exatamente se existem continuações garantidas, pelo menos por enquanto, a história fez questão de deixar em aberto para futuras apostas.

Wendigo, a criatura mística do Cemitério

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Criatura Wendigo presente em Cemitério Maldito

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Uma representação artística da criatura. No filme, ela aparenta como uma “nuvem negra” não identificada.

No livro há um elemento importante que fora apenas brevemente citado no longa: o Wendigo. Originário da mitologia do povo indígena, Ojíbuas, da América do Norte, a criatura é uma espécie de dissipador da destruição e da morte, estando sempre associado ao canibalismo e ao assassinato. Segundo conta a lenda, Wendigo é formado a partir de um humano qualquer que passou muita fome durante um inverso rigoroso e, para se alimentar, consumiu seus próprios companheiros. Após perpetuar tais atos, acabou transformando-se em um monstro e “conquistando” alguns poderes sobrenaturais – como uma espécie de maldição.

Para a narrativa de Stephen King, Wendigo garante uma aparição física e monstruosa, além de ter poderes devastadores. Por conta das características malignas, sua presença no cemitério criou um evento único: todos aqueles que ali são enterrados, retornam diferentes. Não é dito ao certo, mas talvez eles sejam possuídos por espíritos malignos, ou ainda, corrompidos pela influência da criatura. Embora conceda uma “semi-vida” aos que morreram, o personagem mitológico atua mais como uma presença maligna para controlar e manipular os humanos. Diferente do livro, no filme, por outro lado, não há a presença da criatura carnal – embora uma pequena cena no Cemitério sugestione a sua aparição.

Entre as lendas e histórias de terror, não é incomum que criaturas malignas sejam capazes de proporcionar sugestões para conduzir uma série de tragédias. Por esse motivo, no filme, quando Loius permite-se ser manipulado, embora Victor Pascow, interpretado por Obssa Ahmed, tenha-o alertado como forma de gratidão, algumas coisas começam a acontecer como: a atração inconsciente pela floresta; a “ativação” das pertubações de Rachel; ou, até mesmo, a insanidade de Louis que parece só aumentar.

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As diferenças entre o filme e o livro O Cemitério

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Livro O Cemitério Maldito, por Stephen King

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Exceto pelo final, Cemitério Maldito resgata vários elementos equivalentes à trama original. As decisões, todavia, são compreensíveis dado a transposição de mídia e não acredito, em minha opinião, que elas fazem com que o filme caia em conceito, por exemplo. É claro que existem falhas notáveis em algumas criações conceituais. Sem tempo suficiente em tela, várias informações importantes são levantadas, porém não são sustentadas até o final da trama. Como, por exemplo, a esposa de Jud – que está viva no livro. Em minha interpretação, o filme deixa claro que Jud tentou ressuscitá-la e não o seu cachorro como ele havia dito. Mas esses pequenos eventos tornam-se mais subjetivos do que explicativos.

No geral, a distinção mais evidente concentra-se nas mortes e em suas repercussões. Tanto no livro quanto na adaptação, o gato da família é o primeiro a ser enterrado e ressuscitado no Cemitério. A primeira grande mudança está na personagem Ellie, interpretada por Naomi Frenette. Diferente do livro, ela é a primeira humana a voltar à vida, o que, por si só, já resulta em uma série de eventos inéditos. Na trama literária, por outro lado, quem volta é seu irmão mais novo: Gage, no filme interpretado por Lucas Lavoie. Essa escolha foi fundamental para justificar o final do último ato, aliás, tornando-se mais palatável. Na obra cinematográfica decidiram trazer um estado de auto consciência sobre a morte com a Ellie – um assunto cerne da história.

O que aconteceu no final de Cemitério Maldito?

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Cemitério Maldito: O final do filme explicado

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O longa é um grande filme de sustos e apenas isso. Ao optar por não desenvolver os conceitos, torna-se confuso nos resultados do terceiro ato.

Na obra literária, Gage mata o pobre vizinho Jud – com motivações parecidas com as de Ellie no longa. Posteriormente, ele mata a sua mãe, Rachel. Em um lapso de sanidade, Louis decide, portanto, confrontar o seu filho mandando-o de volta para o túmulo. Entretanto, sua presença contínua na casa leva-o a cometer mais um erro: ressuscitar a sua esposa. O livro encerra com Louis sozinho, sentindo uma mão fria cair em seu ombro. Neste momento, ele ouve uma voz que parece soar engasgada com terra: “Querido…”. O leitor, encerra sua jornada com a famosa expectativa “e agora?”.

Aqui a narrativa do filme foi além. A personagem Ellie, justamente por ser auto consciente, percebe que sua família jamais aceitará o seu retorno e não há o que fazer a respeito. Como alternativa, ela decide iniciar um frenesi assassino. Após eliminar Jud, que fora o primeiro a transparecer a necessidade de matá-la por definitivo, Rachel é a próxima. A garota morta persegue sua mãe, que tenta não apenas sobreviver, mas também garantir a segurança do filho mais novo, Gage. Embora todas tentativas, Ellie não fracassa. Rachel é esfaqueada pelas costas.

Nas últimas cenas do longa, Louis tenta salvar Gage e impedir que Ellie leve o corpo de Rachel para o Cemitério – afinal, ela implorou para Louis que isso não acontecesse. Mas ele chega tarde demais, sendo morto pela própria esposa. O filme então termina com a família retornando à casa para matar e “ressuscitar” Gage. O fim nada mais é do que auto explicativo, segundo a própria trama: a necessidade de Ellie em ser aceita e querer se encaixar na família.

Para mim, contudo, o filme falha ao não criar base suficiente durante os diálogos, capaz de gerar uma frustração sobre esse final. O contexto é contraditório. Ellie quer ser aceita, consequentemente, mata toda a sua família para ficarem juntos. Ao mesmo tempo, reafirma que todos irão pagar e constrói falas soltas sobre inferno e a vida pós-morte. O longa ainda cria um conceito de “quem enterra é o dono”, mas não utiliza isso, enquanto trata recorrer ao Cemitério como um “vício em drogas”. Ao que parece Cemitério Maldito não estava comprometido com o sobrenatural ao mesmo tempo em que não se comprometia com o real.

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