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Little Fires Everywhere: livro vs série
Séries & Filmes

Little Fires Everywhere: livro vs série

17 jun 20 6 mins. de leitura
por Mandy Ariani
ATENÇÃO: Esse artigo poderá conter alguns spoilers

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 Little Fires Everywhere (Pequenos Incêndios por Toda Parte), de Celeste Ng, é um livro importantíssimo e com reflexões diversas sobre assuntos que permeiam a vida real: privilégios, aborto, abandono, preconceito, racismo e identidade são só alguns deles – embora uns sejam mais desenvolvidos que outros. Quando a minissérie de drama estreou na Hulu, o público esperava ver tópicos sérios sendo explorados na trama, mas a adaptação superou expectativas ao incorporar mais fortemente o debate racial e trazer ainda mais discussões. Tudo isso, claro, com um elenco de peso e uma produção que mantém atenção do telespectador.

A minissérie é uma parceria entre Reese Witherspoon e Kerry Washington, ambas estreiam também nos papéis principais como Elena Richardson e Mia Warren respectivamente. A trama acompanha a perfeita cidade de  Shaker Heights, um lugar totalmente planejado e cheio de regras – incluindo a cor da pintura das casas, o tamanho da grama, o lixo e muito mais. Tudo isso é feito para manter a aparência “impecável” e homogênea da cidade, algo pelo qual a controladora Elena Richardson, uma repórter e típica cidadã de Shaker, é muito grata.

Mas, como vemos na adaptação, logo no início do primeiro episódio ocorre um incêndio que destrói a mansão de uma  das famílias da cidade- e isso não foi um acidente. A minissérie, então, retorna um pouco ao passado para mostrar tudo que levou até aquele momento e desequilibrou essa cidade aparentemente utópica, mas que na verdade é cheia de segredos e mentiras. Nesse cenário, nós conheceremos Mia Warren, uma artista misteriosa que se muda para Shaker com a sua filha, Pearl, e aluga a casa da família Richardson. Quando as duas começam a se envolver mais com os moradores, a história se desenvolve e logo percebemos que nem tudo é o que parece.

Livro vs Série

É natural em uma adaptação para mídias diferentes vermos mudanças em enredos, personagens e – até mesmo – acontecimentos. Então, nesse artigo, decidimos trazer para você as principais diferenças entre o livro e a série Little Fires Everywhere!

A orientação sexual de Mia Warren e Izzy Richardson

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

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Little Fires Everywhere traz novidades com relação à orientação sexual de alguns personagens, incluindo Mia Warren, apresentada como uma mulher bissexual, e Izzy, uma jovem que nutre sentimentos por sua antiga melhor amiga e chegou a se relacionar com ela por algum tempo. A escolha de trazer essa nova visão sobre a personagem foi muito interessante para refletir sobre bullying e a pressão que Izzy sofre durante um arco. Logo, cenas da jovem beijando a April não acontecem no livro, assim como a cena do baile e outras que envolvem a personagem.

O debate racial e a personalidade de Mia

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Embora o livro reflita um pouco sobre racismo em alguns momentos, não há dúvidas de que na série isso é muito – MUITO – mais explorado. O fato da Mia e sua filha serem mulheres negras na adaptação influenciou mais debates na série e acarretou em algumas mudanças na protagonista. Um exemplo é a personalidade da Mia. Enquanto na série ela é mais direta e “dura” com a filha da Elena, Lexie, quando ela utiliza o nome de Pearl e passa um tempo em sua casa após fazer um aborto, no livro ela conforta e apoia a menina.

Além disso, ela nunca conta para a Elena que foi Lexie quem fez um aborto, então a cena memorável da série não acontece no livro. Com certeza, as mudanças da minissérie tem relação com a decisão de explorar mais o racismo e privilégios. Inclusive, outro reflexo disso é o fato de Lexie não ter roubado uma história da vivência de Pearl para entrar em Yale (aquilo nunca aconteceu), embora a Pearl tenha ajudado-a com a redação. Ao meu ver, no entanto, a adaptação acertou em cheio nessas decisões e expandiu o potencial da história.

A relação de Mia com sua professora

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Ao contrário da minissérie, Mia nunca se envolve em um relacionamento amoroso com Pauline, sua professora na universidade. No livro, ambas se tornam muito amigas e Pauline também faz algumas coisas para ajudá-la, tal como lhe deixar algumas fotos para vender se necessário. Além disso, na adaptação a Mia não consegue se despedir da tutora, mas no livro ela descobre que Pauline tem um tumor na cabeça (não um câncer no ovário) e consegue ir vê-la para dizer adeus.

A última gravidez de Elena

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Em Little Fires Everywhere, assuntos importantes são discutidos a partir do fato de Elena não ter desejado sua filha, Izzy. Por isso, a relação entre elas é muito conturbada. No livro, elas mantém uma relação com a mesma essência, mas as razões são outras: a gravidez de Izzy foi sim planejada, mas ela nasceu de forma muito prematura e teve diversos problemas no início de sua vida. Assim, Elena sempre demonstrou uma preocupação extrema com sua filha caçula e, mais tarde, elas se distanciam ainda mais pelas personalidades opostas e a falta de compreensão de Elena.

A verdade sobre a gravidez de Mia

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Sem dúvidas, um dos momentos mais esperados da adaptação é a descoberta dos mistérios ao redor de Mia e sua filha. Isso também é um pouco diferente no livro, afinal ao contrário da minissérie, Mia consegue confessar a verdade para Pearl antes que Elena faça isso. Então, a jovem é mais compreensiva com sua mãe e não a julga por suas escolhas.

O relacionamento de Lexie e Brian

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Sim, a Lexie também namora com Brian, um rapaz negro, no livro. Porém, a série desenvolve muito mais a relação dos dois e aborda de forma explícita algumas das problemáticas no comportamento de Lexie e sua família. Porém, no livro é a personagem quem termina com o namorado por não querer mais manter a relação após o aborto. Em contra partida, é ele quem termina o relacionamento na adaptação.

A identidade de Mia

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Na minissérie, os personagens ganham um interesse maior por Mia ao vê-la em uma foto no jornal The New York Times. Porém, no livro tudo começa quando os adolescentes vão visitar o museu e a veem em um quadro (também com autoria de Pauline) e é partir disso que Elena passa a investigá-la.

O final da história

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O grande mistério da série e do livro é o incêndio na moradia da família Richardson, mas os finais são diferentes! No livro, é Izzy a grande causadora do incêndio, sendo levada por sua frustração com aquela vida forjada e um discurso feito por Mia (não com essa finalidade). No entanto, na adaptação são os três filhos restantes que se reúnem para queimar a casa.

A Mia também deixa algo para a família Richardson no final, mas não é a mesmo que vemos na adaptação e sim uma foto feita especialmente para cada um deles que refletem quem eles realmente são. Poético, né?

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J. K. RowlingHarry Potter, 1997-2007.

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