Sentimento de Leitor

Juramos solenemente fazer boas recomendações
Upload: você viveria em um ambiente totalmente digital?
Séries & Filmes

Upload: você viveria em um ambiente totalmente digital?

26 Maio 20 4 mins. de leitura
por Caique Araujo

publicidade

Houve um tempo no qual a Netflix dominava o mercado de streaming. Depois vieram diversas outras empresas adotando a mesma estratégia e fazendo as suas apostas em produções originais. Nesse meio tempo, o Prime Vídeo, da Amazon, cresceu em níveis consideráveis a qualidade das suas criações. Um resultado desse movimento é a divertida – e interessante – série Upload, nova estréia deste mês de maio no Prime Vídeo. Confira mais sobre a série a seguir!

Com seu lançamento realizado no dia 1º de maio de 2020, o sucesso de Upload foi imediato. Tanto que, exatamente uma semana após a estréia, a série recebeu o sinal verde para a segunda temporada. Talvez parte deste sucesso tenha as suas razões voltadas para a autoria do show. Greg Daniels, quem criou e assina o roteiro, também é o criador e roteirista de uma série de amplo sucesso no entretenimento: The Office. Apostar nele tem os seus méritos para a Amazon, mas, acima de tudo, Upload ao misturar comédia com ficção cientifica consegue movimentar a sua trama com uma construção agradável desde os diálogos às ações.

A narrativa principal da série está situada no ano de 2033 e acompanha a história do jovem programador Nathan Brown – interpretado por Robbie Amell. No universo da trama, a sociedade encontrou uma forma de “continuar” a vida após a morte: realizando o upload da sua “consciência” para a nuvem. Em teoria, as pessoas que estão condenadas à morte podem escolher entre seguir o ciclo natural da vida ou, então, ter a sua consciência transferida para um mundo completamente digital.

Antes, é claro, a escolha fosse fácil assim. Em Upload existem várias “cidades digitais” administradas por várias empresas e tudo vai depender do quanto você pode pagar para garantir a sua “pós-vida”. A cidade online mais estável e com as melhores condições que o universo digital pode oferecer é a conhecida Lakeview. Nela, por exemplo, estão as famílias mais ricas da sociedade e algumas personalidades conhecidas – conforme citado em alguns episódios.

Apesar de Upload não necessariamente se destacar pela sua originalidade, afinal a trama soa como uma mistura de Black Mirror com The Good Place, Daniels teve a sua genialidade ao saber como incorporar tais conceitos dentro de uma narrativa bastante imersiva. Aliás, a comparação com The Good Place não é atoa. Daniels já trabalhou com Michael Schul, criador da série The Good Place. E, aqui, Daniels percorre uma estrutura similar com os arquétipos dos personagens, levando até para o viés filosófico. Por exemplo, quando Upload faz questão de, ao longo dos episódios, levantar discussões sociais e religiosas bem interessantes sobre a dinâmica desta nova realidade.

publicidade

Questionamentos como “o que aconteceria com nossas almas?” ou “será que continuaríamos sendo nós mesmo?” são levantados algumas vezes – apesar de não tão bem desenvolvidos. Até mesmo a diferença entre classes sociais é demonstrada, quando, por exemplo, Lakeview conta com uma “ala” específica para pessoas com pouca renda que tem os seus dados de uso limitados, fazendo com que, caso seu “crédito” acabe, a pessoa seja digitalmente congelada até o final do mês – cruel?

Não há como não fazer paralelos com o nosso atual mundo digital. Nele, quem tem dinheiro, tem acesso a informação constante através da internet, enquanto outros vivem com planos de dados que encerram seu acesso assim que são esgotados. Mas, ao transformar esse simples conceito em como as pessoas podem viver a sua vida dentro das cidades digitais, um incomodo inevitável e indignante emerge no espectador. Afinal, se as cidades são digitais, porque todos não podem ter o mesmo tipo de acesso? Quer dizer, exceto pelos custos da produção do ambiente e manutenção dos servidores, todas as experiências virtuais oferecidas já fazem parte do próprio sistema – e, mesmo assim, as pessoas tem que pagar por elas, além de um aluguel mensal por sua estadia.

Entre essas e outras discussões vamos acompanhando os passos de Nathan, que acaba sendo transferido para Lakeview após se envolver em um acidente de carro suspeito. Lá, ele percebe que a vida digital não é exatamente aquilo que tanto prometem nos anúncios. E, assim, a série vai tecendo o mistério sobre a morte de Nathan, sua nova paixão digital e o seu atual relacionamento um tanto quanto abusivo. Pelo entretenimento, Upload diverte e entrega uma série fácil de ser “maratonada” em apenas um dia. A fórmula funciona e a mistura fica homogênea. O mundo criado por Daniels é interessante o bastante para manter o público curioso.

Agora, resta esperar pela segunda temporada que promete ainda mais aventuras e uma possível expansão do universo com uma organização anti-upload. É notável o potencial que a série tem para desenvolver nossas ramificações e consolidar ainda mais os pequenos discursos que foram construídos ao longo dos seus 10 episódios. E, eu não poderia deixar de encerrar este artigo com a pergunta que não quer calar: ao fazer o upload, as pessoas realmente são as mesmas ou somente uma cópia de quem foram um dia?

Comentários

O blog Sentimento de Leitor disponibiliza o espaço do DISQUS para comentários e discussões dos temas apresentados no site, não se responsabilizando por opiniões, comentários e mensagens dos usuários sejam elas de qualquer natureza. Por favor respeite e siga nossas regras para participar. Compartilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas. Leia aqui os Termos de Uso e Responsabilidade .

A estrutura do site, bem como os textos, os gráficos, as imagens, as fotografias, os sons, os vídeos e as demais aplicações informáticas que os compõem são de propriedade do "Sentimento de Leitor" e são protegidas pela legislação brasileira e internacional referente à propriedade intelectual. Qualquer representação, reprodução, adaptação ou exploração parcial ou total dos conteúdos, marcas e serviços propostos pelo site, por qualquer meio que seja, sem autorização prévia, expressa, disponibilizada e escrita do site, é vedada, podendo-se recorrer às medidas cíveis e penais cabíveis. Leia aqui os Termos de Uso e Responsabilidade .

publicidade

quem escreve?

Mandy Ariani

Olá, eu me chamo Mandy! Sou apaixonada por livros, filmes, mangás e Jane Austen. Se você quer ficar por dentro do universo geek e literário, visite a gente!

colaboradores

publicidade

para te inspirar

A vida é uma tempestade, meu amigo. Um dia você está tomando sol e no dia seguinte o mar te lança contra as rochas. O que faz de você um homem é o que você faz quando a tempestade vem.

Alexandre DumasO Conde de Monte Cristo, 1844.

os mais lidos do blog

editoras parceiras

2019

resenhas as mais recentes